O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 09/11/2021
Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, propõe um projeto de libertação do homem da opressão e da massificação, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão do impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares, o que reflete como a insuficiência legislativa e a má influência midiática no tratamento do assunto contribuem com a problemática.
Em primeira análise, nota-se por intermédio do legado do geógrafo Milton Santos, o meio técnico-científico-informacional, a rapidez com que informações são dissipadas por redes de comunicação na atualidade. No entanto, há seleção de assuntos considerados mais relevantes em detrimento de outros para serem repassados, como o caso da precariedade do ensino de instituições públicas, o que resulta no desconhecimento por parte da população da desigualdade de aprendizado, pelo silenciamento do tema mencionado. Posto isto, o fato apresentado é exemplicado pelo sociólogo Pierre Bourdieu a respeito da mídia, que diz que “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”.
Outrossim, é notável a insuficiência legislativa na garantia de melhores condições educacionais à população alijada de poder. Sendo assim, de acordo com a revista “Exame”, a taxa de reprovação de indivíduos de institutos públicos é de 10 vezes maior que a de pagantes, o que ocorre pela sensação de abondono do Estado na educação dos estudantes. Dessa maneira, há a violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos proposta em 1948, pela não manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação, resultando na não igualdade de ensino à todos.
Em síntese, fica evidente a necessidade de ações promotoras do bem-estar coletivo. Por isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, como instrumento de metamorfose social, atue com debates acerca da necessidade de igualdade de ensino à toda a sociedade, por meio de escolas e associações de bairro, de modo a garantir maior conscientização coletiva acerca do tema proposto. Somente assim, poderão ser seguidos os preceitos de Adorno, no caminho para menores impactos das desigualdades sociais nas desigualdade escolares.