O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 10/11/2021

A Constituição Federal garante, em seu artigo 6º, a educação como inerente a todos os cidadãos. Entretanto, percebe-se que esse direito fica apenas na teoria ao se observar na prática o impacto causado aos acadêmicos pelas desigualdades sociais existentes. Diante disso, observa-se um número crescente da evasão escolar, motivada pela diferença social e digital.

Em primeiro lugar, evasão escolar é o ato de deixar de frenquentar as aulas, ou seja, é quando alguém abandona o ensino. Assim, segundo o DataFolha, em 2020, 4 milhões de estudantes brasileiros, com idades entre 6 e 34 anos, desistiram de estudar devido a diversos fatores, sobretudo, pela má distribuição de renda, em que é possível ver jovens que abrem mão dos estudos para irem trabalhar e ajudar em suas casas. Por exemplo, Ruan, o qual participou da pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, abandonou a instituição no momento em que sua mãe teve câncer e passou por dificuldades financeiras em casa. Dessa maneira, é visto a necessidade de que o governo ajude as famílias mais carentes, para que os mais novos possam estudar e tenham oportunidades igualitárias.

Em seguida, a desigualdade digital prejudica, em especial, o aprendizado de alguns discentes no contexto da pandemia. Então, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, uma em cada quatro pessoas não possui acesso à tecnologia, sendo quase 46 milhões de brasileiros, o que torna restrito o acesso a atividades escolares e dificulta ainda mais o ensino. Ademais, há o fato de que dentre os quatro milhões de sujeitos que abandonaram a escola em 2020, conforme o DataFolha, 20% delas relataram desistir por terem dificuldades com o ensino remoto. Logo, é preciso que a distribuição de dinheiro seja igual para todo o país, para que os alunos tenham condições de acessarem meios digitais e tenham direito à educação.

Diante do exposto, é notório que as diferenças econômicas dificultam o desenvolvimento escolar de uma grande parcela da população. Portanto, faz-se necessário que o governo, órgão responsável pela elaboração de medidas, por intermédio de uma ação conjunta do Ministério da Economia e do Poder Legislativo, criem uma renda média universal para todo cidadão, mediante do dinheiro coletado da taxação das grandes fortunas dos mais ricos, com o intuito de que o Brasil se torne mais justo e coeso. Além disso, é fundamental que durante a pandemia o Ministério da Educação ajude os alunos que não dispõe de internet em seu lar, por meio de entregas de materiais em casa e aulas transmitidas em canais abertos, com o objetivo de que todos participem da educação, como está previsto na Constituição Federal.