O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 09/11/2021
A inserção em duas escolas públicas na cidade de Campinas (SP) permitiu a elaboração de algumas questões sobre a relação entre Educação e desigualdade social. Neste sentido, a primeira parte deste artigo discute o impacto do capitalismo na situação atual do sistema educacional. Nota-se que a Educação se consolidou como um dos pilares da estrutura social vigente e, assim, forjou-se como um elemento de sustentação da desigualdade social. Uma das contribuições para a mudança deste quadro, refere-se à opção dos professores em assumir uma prática (política) pedagógica não dominante. Dessa forma, a segunda parte deste trabalho atenta para alguns desafios da classe docente, com vista à elaboração de estratégias coerentes com a proposta da Educação Emancipadora, que visa, em última instância, desenvolver a autonomia e a consciência crítica das pessoas.As desigualdades escolares no Brasil são imensas e têm origem nos mais diversos fatores. Desde pelo menos os anos de 1960, as pesquisas educacionais vêm demonstrando que as desigualdades escolares não são produzidas – e reproduzidas – apenas por fatores escolares e extraescolares e não podem entendidas de formas apressadas. Já há bastante clareza, hoje, de que não é possível esperar que a escola, por melhor que ela seja e por mais competente que sejam os seus profissionais, compense as desigualdades sociais e econômicas, sobretudo, mas também de gênero, raça eregionais, que já se apresentam quando os alunos e as alunas iniciam a escolarização. Sobretudo em países em que as desigualdades são abissais e vergonhosas, como no Brasil, é falacioso depositar unicamente na escola a expectativa de que ela opere o milagre da diminuição das desigualdades. Por sua vez, num círculo vicioso, as desigualdades escolares agem no sentido de produzir/reproduzir e, ao mesmo tempo, legitimar tais desigualdades.