O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 09/11/2021

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o pleno direito à educação, à dignidade humana e ao bem-estar social. No Brasil, entretanto, à falta de mobilização efetiva por parte do Estado quanto aos meios de difusão educacional, tem permitido o aumento das desigualdades sociais com efeito nas desigualdades escolares. Isso se evidencia não só pela falta de políticas públicas de inclusão socioeducacional, bem como pela precariedade de estruturas tecnológicas nas comunidades marginalizadas.

Diante desse cenário, é possível destacar à falta de políticas públicas de inclusão social e educacional como um dos principais fatores relacionados aos impactos negativos das diferenças sociais e escolares no Brasil. Nesse sentido, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), antes da pandemia, no ano de 2020, mais de 1 milhão de crianças e adolescentes em idade escolar estavam fora da escola. Dessa forma, torna-se evidente a ineficácia das políticas públicas para inclusão da sociedade no meio educacional em solo brasileiro. É, portanto, inaceitável que no Brasil, um dos países mais desenvolvidos da América Latina, o Estado não invista o necessário na inclusão educacional para todas as classes sociais.

Além disso, a precariedade de estrutura tecnológica nas comunidades menos favorecidas do país figura como fator negativo para expressividade desse problema social. Sob essa ótica, o Ministério da Educação (MEC), regulamentou o ensino híbrido, que é dividido entre aulas presenciais e online, como forma de democratizar o ambiente educacional. O objetivo é incentivar o aprendizado pleno do estudante, todavia a medida não tem funcionado como planejado em razão da carência das tecnologias disponíveis para os grupos mais segregados no país. Mostra-se, assim, que a problemática da falta de estruturas tecnodigitais com efeito na educação dos cidadãos tem levado o Brasil a decadência inclusiva digital.

Portanto, faz-se necessária a adoção de medidas para a reversão dos problemas relacionados ao aumento das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Para isso, cabe ao governo federal criar uma campanha, por meio das mídias digitais, como tv e redes sociais, com informações que demonstrem a importância da acessibilidade das tecnologias para uma educação mais ampla, bem como implementar novos projetos de inclusão digital nas escolas públicas e comunidades do país. Paralelamente, deve-se ampliar as leis a fim de incluir e aumentar o engajamento educacional através da internet. Espera-se, com isso, uma atenuação nos impactos das desigualdades sociais, bem como uma maior integração educacional entre todos os cidadãos.