O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 10/11/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superfíciais e egoístas que regem essa nação. Não distante da ficção, a Constituição Federal de 1988 assegura, em seu artigo 5º, a educação como algo inerente a todos os cidadãos brasileiros, contudo esse direito não é aplicado na realidade contemporânea. Assim, a negligência governamental e o desamparo do corpo social demonstram que medidas são necessárias para conter tal problemática.
Precipuamente, é fulcral pontuar o descaso do governo. No livro “Cidadão de Papel” de Gilberto Dimenstein, o autor afirma que “os direitos constitucionais residem tão somente na teoria”. Nesse aspecto, evidencia-se o desamparo do governo em relação as escolas públicas e, consequentemente, o baixo nível educacional destas instituições. Contribuindo para a desigualdade escolar entre alunos de núcleos educacionais públicos e privados. Dessa forma, a afirmação do autor se encontra cada vez mais próxima da realidade moderna.
Além disso, o estigma do corpo social contribuí para o avanço da problemática. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é um organismo vivo que necessita manter-se unido a fim de encontrar seu pleno equilíbrio. Nessa perspectiva, o preconceito enfrentado por alunos de escolas públicas quanto a entrada em faculdades e mercado de trabalho acentua o impacto da desigualdade, deixando-os marginalizados e suscetíveis a evasão escolar. Dessa maneira, ocorre a quebra da diretriz solidária proposta pelo estudioso e não há formação de uma sociedade homogênea.
Ademais, medidas exequíveis tornam-se necessárias para conter o avanço do problema. O Ministério de Educação, orgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, deve promover debates, por intermédio dos centros educacionais, para que sejam realizados na escolas sobre as desigualdades enfrentadas pelos alunos com menor poder aquisitivo. Além disso, o Estado Federal necessita direcionar que, por intermédio de governos municipais, será revertido em cursos profissionalizantes para professores com o intuito de melhorar a educação. Dessa forma, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da problemática.