O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 12/11/2021

O Brasil, sendo a princípio uma colônia de exploração portuguesa, foi marcado pela desigualdade social desde o início de sua formação, no século XVI. Nesse contexto, percebe-se que uma parcela da população, continuamente marginalizada, ainda padece das consequências dessa desigualdade, que se refletem sobretudo na educação. Portanto, tendo em vista que a situação exposta traz prejuízos à sociedade, torna-se imperiosa e urgente a tomada de iniciativas que busquem sanar esse problema.

Embora a Constituição Federal de 1988 estabeleça a educação como um direito independente e inalienável, isso não é observado na prática. As condições de vida desiguais dificultam o acesso pleno aos direitos garantidos pela carta magna, estando negros e indígenas, historicamente marginalizados, em desvantagem quanto ao uso destes em relação aos brancos. De acordo com a teoria do sociólogo alemão Karl Marx,  essa desigualdade é intrínseca e necessária ao sistema econômico vigente, onde a desigualdade escolar e consequente alienação das massas é imprescindível para mantê-las subjulgadas. Uma população com baixo nível de instrução, inconsciente de seus direitos, é mais suscetível à manipulação.

Ademais, a dificuldade de acesso à cultura, boas condições de vida, trabalho e moradia, inevitavelmente afeta o desempenho educacional dos estudantes, contribuindo, por exemplo, para a evasão escolar - muito mais intensa no ensino público. A pandemia da covid-19 evidenciou esse problema,  pois o acesso à Internet foi necessário para dar continuidade às aulas. Muitas pessoas se viram impossibilitadas de acompanhar estas, e a crise agravada pela pandemia aumentou o abismo existente entre a elite e os mais pobres. Como consequência, o número de inscritos no exame nacional do ensino médio, única forma de ingresso em grande parte das universidades do país, foi o menor desde 2005.

Fica claro, portanto, que a atenuação da desigualdade social é imprescindível para a equidade no acesso à educação. Para tanto, o governo, através do ministério da economia, deve atuar em favor da geração de empregos formais, com salários condizentes com o custo de vida no país. Para que isso seja viabilizado, o Congresso Nacional deve garantir a melhor distribuição de verbas através da lei orçamentária anual, com maior investimento em desenvolvimento, educação,  e melhorias na fiscalização do uso do dinheiro público. Feito isso, o Brasil poderá garantir condições de vida mais igualitárias aos seus cidadãos, rompendo com a desigualdade excessiva gerada desde o processo de colonização.