O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 18/11/2021
A imagem de um garoto filipino que utilizava a luz de uma lanchonete para estudar frequentemente viraliza nas redes sociais, muitas vezes acompanhada de textos com viés meritocrático. Todavia, essa situação não deveria ser romantizada, senão encarada como o que é: um problema, em que as desigualdades sociais, ligadas à situação econômica das famílias, impactam no desenvolvimento escolar, gerando evasão ou baixo desempenho escolar. É essencial, nesse contexto, pensar projetos para reduzir essa problemática.
Em primeiro plano, nota-se como causa de desigualdade social, que gera impacto na vida escolar, os problemas financeiros enfrentados por várias famílias no país e as consequências disso para os estudantes. É preciso considerar que as crises economica e social estão afetando a população brasileira, assim, crianças e adolescentes em idade escolar tornam-se também fonte de renda em suas famílias. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatisca) apontam que 1,8 milhões de jovens entre 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2019, são mais de 1 milhão de alunos que ou abandonam a escola ou não tem essa como seu foco principal. É necessário analisar os efeitos desse trabalho infantil no rendimento escolar.
Por conseguinte, a evasão escolar e o baixo desempenho são grandes representações da desigualdade escolar. Observa-se que o trabalho infantil, causado pela desigualdade social, impacta diretamente a vida escolar dessas crianças e adolescentes, pois torna-se o foco e reduz a importância da escola na trajetória desses, que acabam abandonando os estudos ou tem perda de desempenho escolar. Como mostra o estudo da Fundação Tefelônica, jovens com jornada de trabalho de 36 horas apresentam taxa de evasão escolar de 40% e a queda de rendimento varia de 10% a 15%. Analisando esses dados, fica evidente que o trabalho infantil representa um risco ao desenvolvimento intelectual e deve ser combatido.
Urge, portanto, encarar a desigualdade escolar como um problema grave que tem ligação direta com a desigualdade social. Primeiramente, cabe ao Ministério da Cidadania - responsável a nível federal pelas políticas de desenvolvimento - estender programas de transferência de renda, por meio do fortalecimento de projetos já existentes, a fim de garantir dignidade para mais famílias e evitar o trabalho infantil. Ademais, é papel das insituições de ensino realizar um acompanhamento dos estudantes, monitorando suas presenças e seu desempenho, para reduzir a evasão escolar. Assim, será possível impedir situações como a do garoto filipino, e tornar a escola um ambiente mais igualitário.