O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 10/11/2021
O Barão de Itarajé, jornalista brasileiro, afirmava que os homens nascem em condições de igualdade, mas no dia seguinte, já se tornam diferentes. Sob essa óptica, a frase enunciada pelo pensador denota a rapidez com que as diferenças sociais interferem na vida do corpo civil, e, com isso, torna-se possível analisar os impactos dessa temática no âmbito da educação. Sob essa análise, faz-se necessário discorrer sobre as causas da problemática em questão, com destaque para a inobservância estatal e para o contraste de poder aquisitivo no Brasil.
Primeiramente, é essencial analisar a permanência do dilema sob o prisma da omissão estatal. Nesse seguimento, a Constituição Federal de 1989 tem como objetivo fundamental a redução das desigualdades sociais, além de garantir a educação como direito de todos os brasileiros. No entanto, a realidade observada no século XXI é dispare da idealizada pelos deputados constituintes, haja vista que a contemporaneidade é demarcada por uma inoperância estatal que reflete em um ensino público medíocre, que, por sua vez, reforça e é reforçado pelas mazelas sociais. Dessa forma, a camada mais afortunada da população recorre à educação privada, e, assim, as diferenças de classe beneficiam os ricos em detrimento dos pobres, intensificando a vicissitude em questão.
Além disso, outro fator que contribui para o fortalecimento das consequências das desigualdades é a profunda disparidade de riqueza entre as classes sociais. Sob esse viés, é de suma importância compreender que a ausência de paridade nesse aspecto tem como origem a própria colonização do Brasil. Dentro dessa perspectiva, a sociedade brasileira se desenvolveu fundamentada no embate entre a aristocracia rural e as demais camadas da população, que repousavam em inércia devido a rigidez de mobilidade social. Desse modo, o Brasil atual é demarcado pelas heranças do período colonial, e, dessa maneira, a porção mais carente do corpo civil participa de um ciclo vicioso, no qual os empecilhos para progredir economicamente e socialmente estão relacionados com a competição injusta travada pela classe dominante que desfruta dos meios para continuar vencendo a disputa.
Por fim, é evidente que essa temática configura uma questão desafiadora para o governo federal. Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania – órgão responsável por implementar políticas de desenvolvimento social – criar campanhas assistenciais que objetivem a redução das disparidades sociais, por meio de investimento e fomento federal, com a finalidade de erradicar as mazelas sociais presentes no Brasil. Assim, os homens poderão cultivar a igualdade nos dias seguintes ao seu nascimento, contrariando o Barão de Itarajé.