O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 10/11/2021
A desigualdade social é um dos maiores desafios enfrentados pela sociedade brasileira. Uma das principais formas de atenua-la é por meio da educação, uma vez que esta tem como função proporcionar a mesma oportunidade de ensino a todos os cidadãos. Porém, na realidade o que se observa é uma educação marcada pela desigualdade. Tal fato é comprovado pela classificação dos melhores colégios do Brasil ,realizada pelo site “foco no enem” com base nas notas da prova ,em que todas as posições foram ocupadas por instituições privadas. O abismo entre alunos de instituições públicas e privadas é fruto da elitização da educação de ponta, aliada à falta de investimento no ensino público.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a elitização da educação é um fator diretamente ligado à desigualdade social e educacional. Na constituição federal de 1934, a educação passou a ser gratuita e uma obrigatoriedade do Estado, antes disso não era comum indivíduos de classes inferiores terem acesso à ela. Apesar das mudanças positivas consequentes dessa ação governamental, como a redução do analfabetismo no país, a instrução de melhor qualidade ainda é restrita a grupos das camadas sociais superiores. A consequência dessa realidade, contraditória à finalidade educacional, é a perpetuação do desequilíbrio social, visto que com os melhores desempenhos acadêmicos, os alunos de colégios privados possuem chances maiores de ingressarem nas melhores faculdades e cursos, e consequentemente ocuparem as melhores condições no corpo social.
Ademais, é imperativo ressaltar que a falta de investimento na educação pública corrobora com essa problemática. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser articulada a fim de garantir o equilíbrio social. No entanto, no brasil, essa finalidade é negligenciada. Enquanto as instituições privadas contam com os melhores materiais didáticos, infraestrutura e salários, as públicas carecem de melhores condições em todos esses aspectos. Sendo assim, faz-se mister uma reformulação na política, para que esta seja capaz de proporcionar a equidade entre os cidadãos.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da desigualdade educacional. Para tal, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que por intermédio do Governo será aplicado no setor da educação, por meio da disponibilização de melhores materiais didáticos e tecnologia, a exemplo, equipamentos digitalizados para os laboratórios, além do aumento no salário dos profissionais. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo os impactos das desigualdades sociais nas desigualdades escolares.