O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 11/11/2021
Em “O Menino Que Descobriu O Vento”, filme de 2019, um jovem malawi sonha em estudar numa universidade. Devido à pobreza extrema e a distante localização de sua vila, William passa a estudar sozinho com livros velhos que encontrou no lixo. Assim como na ficção, os estudantes brasileiros encaram uma difícil travessia em sua graduação escolar. As desigualdades sociais impactam a qualidade da promoção do ensino, bem como a perspectiva dos estudantes sobre ele.
Em primeiro plano, as desigualdades sociais impedem a conclusão da trajetória escolar dos mais pobres. De acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Educação, em 2018, 80% dos alunos de ensino básico são de rede pública, dentre os quais 25% abandonam a escola antes de concluir o segundo grau. Sob tal ótica, dentre os fatores que corroboram para a evasão escolar, a qualidade do ambiente de ensino é a principal. Superlotação das salas de aula, materiais ultrapassados ou medíocres e o constante assédio do tráfico sobre os estudantes é o que torna o ambiente hostil e passível de abandono.
Em segundo plano, a forma como o ensino escolar é encarado difere e muito entre as camadas sociais. O tempo gasto na escola por estudantes de classe média e superior é encarado por eles e suas famílias como um investimento de longo prazo que gerará lucrativas recompensas no futuro. Não obstante, o tempo para o estudante periférico é curto, porque disputa com sua condição financeira e de sua família, que encara a escola como um empecilho na aquisição de trabalho e, consequentemente, renda para sustentar a si mesmos.
Destarte, frente ao exposto, vê-se emergente a intervenção sobre as desigualdades sociais a fim de diminuir o abismo presente na formação estudantil no Brasil. Dessa forma, urge que o MEC junto ao IBGE localizem as instituições da rede pública mais afetadas e promova sua reforma, por meio do aumento no número de salas e criação de núcleos de atendimento psicossocial ao estudante carente. Somente assim, será possível combater a desigualdade escolar, prevenindo o abandono e promovendo a “boa educação”.