O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 11/11/2021
A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o pleno direito à educação, à dignidade humana e ao bem-estar social. No Brasil, entretanto, a falta de mobilização efetiva por parte do Estado tem impedido que tais garantias sejam postas em prática permitindo, assim, o aumento das desigualdades sociais e escolares. Isso se evidencia não só pela falta de políticas públicas de inclusão socioeducacional, como também pela precariedade de estruturas tecnológicas nas comunidades marginalizadas.
Diante desse cenário, é possível destacar a falta de políticas públicas de inclusão social e educacional como um dos principais fatores relacionados aos impactos negativos das diferenças sociais e escolares no Brasil. Nesse sentido, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), antes da pandemia, no ano de 2020, mais de 1 milhão de crianças e adolescentes em idade escolar estavam fora da escola, o que demostra a carência de programas inclusivos na área da educação. Dessa forma, torna-se evidente a ineficácia das atuais políticas de integração educativa em solo brasileiro. É, portanto, inaceitável que no Brasil, um dos países mais desenvolvidos da América Latina, o Estado não invista o necessário na inclusão educacional para todas as classes sociais.
Além disso, a precariedade de estrutura tecnológica nas comunidades menos favorecidas do país figura como fator negativo para expressividade desse problema social. Sob essa ótica, o Ministério da Educação (MEC), regulamentou o ensino híbrido, que é dividido entre aulas presenciais e online, como forma de democratizar o ambiente educacional. O objetivo é incentivar o aprendizado pleno do estudante, todavia a medida não tem funcionado como planejado em razão da carência das tecnologias disponíveis para os grupos mais segregados no país. Mostra-se, assim, que a problemática da falta de estruturas tecnodigitais com efeito na educação dos cidadãos tem levado o Brasil a decadência inclusiva digital.
Portanto, faz-se necessária a adoção de medidas para a reversão dos problemas relacionados ao aumento das desigualdades sociais nas desigualdades escolares. Para isso, cabe ao governo federal criar uma campanha, por meio das mídias digitais, como tv e redes sociais, com informações que demonstrem a importância da acessibilidade das tecnologias para uma educação mais ampla, bem como implementar novos projetos de inclusão digital nas escolas públicas e comunidades do país. Espera-se, com isso, uma atenuação nos impactos das desigualdades sociais, bem como uma maior democratização da educação entre todos os cidadãos.