O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 15/11/2021
O filósofo Habermas, em “Teoria da ação comunicativa”, explica que é de suma importância o diálogo entre o corpo social para a garantia dos seus direitos. Contudo, percebe-se uma lacuna quando se trata dos impactos das desigualdades sociais nas diferenças escolares, uma vez que esse contraste no ensino dificulta o indivíduo de conquistar o seu privilégio. Dessa forma, fica claro que a falta de uma base educacional igualitária e o descaso de investimento público colaboram ainda mais para o problema.
Diante desse cenário, a falta de uma base educacional democrática está atrelada a questões históricas. Nesse sentido, no período colonial, era notório que as escolas já segregavam uma desigualdade social na época, fazendo com que só os cidadãos com um alto poder aquisitivo pudesse frequentá-las, por exemplo os filhos dos grandes senhores, assim, os demais eram exclusos desse direito. De forma análoga, observa-se que essa realidade é persistente nos dias atuais, mostrando, lamentavelmente, como a hierarquia do ensino privado com o público potencializa a desigualdade no meio. A respeito disso, o filósofo Pierre Bourdieu discorre sobre o “Habitus”, ou seja, internalização de conceitos sociais que se manifestam a partir de comportamentos. Nesse viés, o que seria essa falta de uma educação democrática se não um “Habitus” o qual necessita ser combatido com urgência? Assim, é evidente afirmar que os exclusos da história são hoje os estudantes das escolas públicas.
Somado a isso, cabe ressaltar que o descaso de investimento público nas escolas é gritante e carece ser corrigido. Nessa perspectiva, o livro “Admirável mundo novo”, do escritor inglês Aldous Huxley, expõe uma sociedade futurista a qual os indivíduos são divididos em castas superiores e inferiores, e apenas aquelas das camadas maiores eram aceitos no meio. Nesse âmbito, fora da ficção, conclui-se que as escolas privadas” modelam” seus alunos para que os mesmos venham ser acolhidos no corpo social, o que, infelizmente, não acontece com os alunos das instituições públicas, pois, com o descaso de investimentos e professores desqualificados corrobora o olhar de desigualdade daqueles com –mentes coloniais-. Sob esse viés, cabe a Constituição Federal no artigo 6, o qual garante o direito de forma igualitária e cabe ao Estado que venha realizar o seu papel de subtrair a divisão de castas.
Destarte, faz-se necessário que o Estado- o qual é responsável por garantir o direito do cidadão-, promova palestras educacionais para a sociedade entender o quão importante é a base educacional e o investimento nas escolas, por meio de ações sociais- mesas redondas e debates- com ajuda de professores qualificados. Por fim, a democratização dos direitos será igualitário e o diálogo entre os alunos acontecerão como propõem Habermas.