O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 14/11/2021

A pandemia da COVID-19 evidenciou ainda mais as desigualdades existentes no país, sobretudo, na educação, pelas dificuldades do ensino remoto para muitos estudantes de baixa renda que tinham pouca ou nenhuma condição de acompanhar as aulas pela falta de acesso a Internet e de equipamentos. Nesse sentido, o estado de marginalização social já existente na vida dessas crianças e adolescentes tende a se prolongar ou até aumentar quando a educação é sucateada, pois as oportunidades são mais acessíveis aos que possuem um melhor padrão de vida e, consequentemente, melhores recursos de aprendizagem. Desse modo, é fundamental viabilizar a melhoria educacional na rede brasileira, permitindo com que os jovens consigam mudar suas realidades para melhor, superando mais facilmente a pobreza, fome e violência.

Em primeiro plano, o sistema de ensino deve oferecer meios para a obtenção pelo indivíduo da capacidade de superar os problemas pertinentes em sua vida e na sociedade em geral. Sob tal óptica, Paulo Freire defendia uma pedagogia crítica capaz de instigar as pessoas a mudarem questões sociais, políticas e econômicas e transformarem a realidade, melhorando a qualidade de vida da população do país. No entanto, o sucateamento da educação pública brasileira compromete a concretização dessa proposta, a qual traria muitos benefícios para a nação.

Além disso, a falta de atenção governamental com essa importante questão contribui para o aprofundamento das diferenças. Nesse âmbito, dentre todas as áreas, a educação foi a que sofreu o maior corte orçamentário pelo Governo Federal em 2021, o que impacta diretamente a qualidade do ensino. Logo, tal fato contribui para o aumento das distâncias entre as redes particulares e públicas, sendo esta prejudicada e determinante para a permanência ou saída da margem da sociedade.

Portanto, medidas para diminuir essas questões devem ser implementadas. Para tanto, cabe aos governos estaduais e municipais realizarem um acompanhamento das instituições de ensino básico, identificando os problemas mais pertinentes de cada uma e realizando alterações direcionadas para melhorar os desempenhos escolares a partir das soluções mais adequadas como aulas de reforço em matérias de dificuldades, tempo integral de estudo nesses ambientes e oferecimento de internet e computadores gratuitos para os alunos de baixa renda. Por fim, é dever do MInistério da Educação acrescentar à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) o conhecimento transmitido por Freire, agregando nas disciplinas de Humanas a abordagem dessa teoria e a proposta de sessões de debates entre os estudantes acerca do tema para despertar o pensamento crítico e suficiente para a resolução de problemáticas.