O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 16/11/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkeheim, a sociedade humana forma um grande complexo orgânico que exige o pleno funcionamento de todas as suas áreas para se consolidar de forma harmôniosa. Entretanto, no Brasil é visto uma grande desigualdade social que influência diretamente nas questões escolares dos indivíduos. Portanto, é importante constatar os impactos causados pela má gestão do ensino brasileiro e consequentemente, sua distribuição desigual.

Primeiramente, na Grécia antiga era comum que o ensino dos ‘‘cidadãos’’ fosse limitado a uma pequena parcela dos habitantes, os Patrícios, que detiam a concentração de riquezas da época excluindo os mais pobres. Análogo a isso, é nítida a desigualdade na qualidade do aprendizado entre a classe média-alta e baixa. De acordo com o G1, o governo federal no ano de 2020, perpetuou um grande corte de investimentos na área da educação em diversos setores, e isso reflete principalmente nas condições das muitas escolas públicas no país que sofrem para manter o mínimo esperado pelo próprio governo, enquanto as instituições particulares seguem no desenvolvimento sem muitos obstáculos.

Outrossim, mais tardar após a ‘‘idade das trevas’’, surge então o iluminismo que prega a difusão universal da informação e conhecimentos gerais, fator esse que ainda é valorizado até o presente século XXI. Contudo, ao observar os dados disponibilizados pelo INEP acerca do número de acertos dos candidatos na prova do ENEM, é possível constatar uma grande divergência nas notas que tendem aos dois extremos (muito altas ou muito baixas), evidenciando novamente os ‘‘dois lados da moeda’’. Assim sendo, urge a necessidade de uniformizar a qualidade do ensino nas escolas públicas para que se assemelhem as particulares, levando em conta o necessário investimento estrutural e profissional desses ambientes para que não haja a transição total de especialistas qualificados em busca de melhores salários em entidades privadas.

Portanto, faz se mister a análise dos dados para resolver o impasse. Logo, o Ministéria da Educação em conjunto com o Ministério da Economia deve investir pesadamente em incentivos para profissionais por meio do aumento salárial em instituições de caráter público, com o objetivo de resgatar parte dos educadores que muitas vezes discordam da desvalorização do trabalho na área e buscam melhores condições de emprego em regiões elitizadas. Consoante a isso, as ações descritas prezam pelo equilíbrio do ensino afim de reduzir ou eliminar as desigualdades escolares decorrentes das visíveis e constantes desigualdades sociais no país.