O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 17/11/2021

O filme “Que horas ela volta?” aborda a desigualdade social em diversos fatores, incluindo o educacional ao demonstrar a diferença existente entre os estudos do filho de uma família de classe alta e os da filha de sua empregada doméstica. Concomitantemente ao exposto pelo filme, percebe-se o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares em nossa realidade, principalmente ao se verificar a falta de investimento governamental em instituições públicas de ensino, além da infraestrutura precária de escolas gratuitas quando comparadas àquelas frequentadas por jovens pertencentes à classes econômicas superiores.

Inicialmente, pode-se mencionar que a Constituição Federal de 1988 (CF 88) garante o direito de educação como dever do Estado, apesar de não garantir que esse estudo seja da mesma qualidade para todos. Desse modo, ainda carece-se de medidas que regulem o nível educacional entre escolas públicas,que possuem alunos mais carentes socialmente, e privadas normalmente são frequentadas por pessoas de camadas sociais mais elevadas. Sendo assim, a desigualdade educacional é percebida como um impacto da desigualdade social, considerando que o Estado ainda não realiza investimentos em educação que equilibrem escolas públicas de áreas mais abastadas a escolas particulares de áreas nobres.

Sob essa análise, torna-se válido o ponto da precarização das infraestruturas das escolas públicas no Brasil, principalmente ao se considerar que de acordo com dados do Censo Escolar de 2017 40% das instituições de ensino públicas do Brasil não possuem rede de esgoto. Além de mostrar-se um problema de saúde em pública, é possível perceber o problema de infraestrutura sucateada do ensino público brasileiro, principalmente ao se contrastar com escolas de ensino privado que oferecem além de suporte aos estudos, lazer. Paralelamente, percebe-se que as diferenças sociais influem diretamente nas diferenças educacionais, principalmente devido à falta de cuidado e manutenção governamental com as instituições pelas quais são responsáveis.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação realize um mapeamento de características socioculturais das diferentes regiões do Brasil, por meio de dados de acesso à internet, alimentação e índice de desemprego. Dessa forma, poderá se rastrear regiões mais carentes e que necessitam de maior atenção governamental, oferecendo investimentos às escolas da região para que possa iniciar-se o processo de tornar igualitário o ensino e infraestrutura de escolas públicas e privadas. Sendo assim, diminuir-se-a o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares, tornando a sociedade mais igualitária, complementando o exigido pela CF 88.