O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 17/11/2021
Existe no imaginário brasileiro um senso de que faculdade é sinônimo de estabilidade financeira, algo que não está de todo errado, afinal, o ensino superior ainda é um ambiente de oportunidades, mas muito elitizado. Isso porque esse nível a mais só é desbloqueado com a conclusão dos inferiores, conquista rara para a população mais pobre. Por isso, o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares está no fato de que o estudo é um privilégio, e com isso há a perpetuação da elitização das escolas.
Em primeiro plano, ao analisar mais profundamente tal senso comum- faculdade leva ao ganho de dinheiro-, percebe-se que ele está fundamentado na dinâmica da Quarta Revolução Industrial: muita competitividade, a qual gera maior necessidade por especialistas no mercado, objetivo realizado apenas com um ensino superior ou além. Em outras palavras, na família que recebe um salário mínimo para sobreviver, o filho adolescente não tem como objetivo focar na escola, mas sim ajudar na arrecadação de dinheiro, fazendo com que a continuação dos estudos torne-se possível apenas para os jovens, que não precisam ter carteira de trabalho ainda em idade escolar. Logo, como estudar em um cenário, no qual desigualdades sociais impactam nas escolares, é um privilégio, a população menos favorecida é expulsa da dinâmica atual do mercado, competitiva.
Ademais, por causa dessa marginalização, fazer faculdade, ou mesmo ter ensino médio completo, é uma saída quase irrisória para os mais pobres, consequentemente, pelo imaginário brasileiro, a estabilidade financeira também entra nesse combo dos sonhos. Sendo assim, há a perpetuação da elitização das escolas, pois, apenas as classes mais altas conseguem focar nos estudos, haja vista que nos anos mais avançados há maior evasão dos alunos em escolas públicas- cerca de 19% a mais, segundo o Ministério da Educação, em um comparativo feito pela revista Exame. Fruto dessa cascata de reflexos da desigualdade social, está um ciclo vicioso: sem faculdade, sem estabilidade financeira, criação da necessidade dos filhos adolescentes trabalharem, e assim por diante. Porquanto, o impacto do abismo social entre as famílias brasileiras cria um cenário difícil de ser evitado, a elitização das escolas.
Portanto, algo deve ser feito para que haja alguma mudança. Para isso o Governo Federal deve criar mecanismos de bonificação, por meio de distribuição de dinheiro para as famílias com filhos em idade escolar, essa ajuda financeira fará com que o foco dos jovens esteja em estudar, e não em ajudar na sustentação da casa, tudo isso com a finalidade de que o impacto das desigualdades sociais não reflitam tanto nas desigualdades escolares.