O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 20/11/2021
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura o direito à educação a todos os residentes do país. No entanto, percebe-se uma falha na efetivação desse princípio da Lei Maior, visto que o impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares surge como um complexo desafio a ser sanado. Nesse sentido, isso ocorre devido a negligência governamental, tendo como consequência, a precarização na aprendizagem.
Primariamente, vale ressaltar que o descaso governamental em relação a educação é alarmante. Se bem que esse contexto com as eferas governamentais exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, uma vez que representa os impasses e o preconceito enraizados na sociedade. É exatamente nessa conjuntura que se insere a negligência governamental, pois ela corrobora nos impactos enfrentados pelo corpo social, pois a falta de verbas prejudica a compra de material escolar, a manuntenção estrutural das escolas e o acesso ao transporte para aqueles que moram em áreas mais distantes das escolas. Além disso, à mídia auxilia no fator de generalizar essas desigualdades, principalmente com estudantes pretos, pobres e de regiões mais afastadas, de modo que essa situação seja normalizada. Com isso, fica coerente a sintonia presente na teoria de Bauman.
Ademais, é necessário salientar o fator consequente sob à temática, decorrente da inobservância do dever, que contribui na precarização do aprendizado. Paralelo a isso, com a pandemia do Covid-19, foi decretado o fechamento das escolas, elaborando então um ensino remoto. Entretanto, as pessoas sem condições financeiras não possuem os recursos essencias para tal ensino, o qual exige computadores, internet e um ambiente adequado para os estudos. Outrossim, o pensamento do filósofo Immanuel Kant, explicita tal problemática, quando ele diz que " É no problema da educação que se assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade". Dessa maneira, depreende-se a necessidade de uma mudança efetiva no ramo educacional.
Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão dessas desigualdades. Para isso, compete ao governo, órgão que é autoridade governante de uma unidade política, investir, através de verbas governamentais, em transportes e em aparelhos básicos essenciais para o acesso remoto, afim de mitigar tais consequências recorrentes à problemática. Paralelamente, cabe também às mídias sociais, promover campanhas educativas sobre a sensibilização e a igualdade social, por intermédio de programas telesivos com viés informativo, com a finalidade de evitar os impactos na educação escolar. Somente assim, será possível usufrutar desse direito que é concebido à todos pela Constituição.