O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 10/12/2021
Os tempos mudaram no segmento da educação com a pandemia. Para a preservação de vidas, os estudantes viram-se obrigados a deixar de frequentar as aulas presencias e se adaptar à nova realidade. As aulas online surgiram como solução para que a perda não fosse ainda maior. Mas não foi e não está sendo um mar de rosas. Muitos paradigmas precisaram e precisarão ser quebrados.
No Brasil, o impacto nas escolas particulares foi muito menor em relação as públicas, mas não se pode dizer que foi fácil, pois sempre existiu preconceito em relação a aulas remotas. Muitas pessoas associavam o ensino online como mais fraco em relação ao presencial. Mas isso não tem fundamento. Podemos verificar que nos países desenvolvidos o ensino a distância é algo comum e bastante disseminado. Grandes universidades estrangeiras renomadas oferecem há tempos graduação, pós-graduação, curso de extensão ao mundo de forma remota. Podemos observar isso no ensino médio também. E aproveitando esse nicho, as instituições de ensino particular no país, graças a educação remota, realiza parcerias com universidades e escolas estrangeiras para que seus alunos possam obter diploma internacional para se destacar no mercado. Então, a transição para o ensino remoto aconteceu rapidamente, mas não podemos dizer que foi menos trabalhoso.
No outro extremo, infelizmente, temos o ensino público brasileiro. Sempre foi um grande desafio oferecer um ensino de qualidade em um país que possui dimensões continentais e implementar um ensino remoto com o orçamento tão limitado e em tempo recorde, tornou o trabalho ainda mais árduo. A população de baixa renda não tem condições para disponibilizar equipamento, conexão de internet, espaço de estudo adequado e nem alimentação para seus filhos, na grande maioria dos casos. O governo vem se empenhando em oferecer internet gratuita, equipamentos, fornecimento de cestas básicas para os seus alunos. Mas, as morosas burocracias retardam todo o processo, e a maioria dos estudantes estão desamparados e assim o abismo educacional está cada vez maior.
Nesse cenário, podemos perceber que a pandemia acelerou o processo de implementação de ensino remoto conforme os padrões internacionais vigentes. Mas a desigualdade entre o ensino particular e público ampliou-se assustadoramente. A sociedade brasileira deve cobrar das autoridades públicas que os benefícios do ensino remoto alcancem toda a população para que num futuro próximo a desigualdade social possa diminuir significativamente.