O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 11/12/2021
A desigualdade social é um problema que assola o Brasil há séculos e parece longe de acabar. E essa desigualdade social está diretamente relacionada com a desigualdade escolar. Podemos destacar que esse imbróglio se agravou desde a época da escravidão e mesmo com a libertação dos escravos nada mudou na prática. Apenas transferiu o problema do campo para os grandes centros urbanos. Engana-se que esse impasse impacte somente os mais vulneráveis. Muito pelo contrário. Através deste abismo social o Brasil fica travado como um todo.
Desde de 1888, os grandes aglomerados urbanos crescem, dia a dia, sem saneamento básico, sem moradias dignas, sem o mínimo de infraestrutura (como posto de saúde, escolas, bibliotecas), ampliando o círculo vicioso da desigualdade pois esses cidadãos sem qualificação profissional não conseguem trabalho, vivem à margem da sociedade, dependendo de ajuda para sobreviver. Nesse emaranhado do caos, nascem famílias totalmente desestruturadas sem condições de cuidar de sua prole e proporcioná-las desenvolvimento intelectual, físico e espiritual dignos. No meio deste cenário catastrófico, a motivação para estudar se perde integralmente. O estudo é o único caminho pois é através dele que os cidadãos irão conseguir oportunidades profissionais para poder melhorar seu padrão de vida.
Em nosso país, de dimensões continentais e orçamento educacional limitado, a infraestrutura de ensino é precária. Podemos observar melhorias pontuais no acesso ao ensino superior, mas a base, o grande gargalo, continua sendo o maior problema. Como motivar estudantes que passam por tantas privações no lar? Como melhorar a infraestrutura do ensino básico? É necessário investimento pesado em educação para diminuir a desigualdade escolar enraizada através da implantação de programa de incentivo aos professores nas comunidades, programas em parceria com as empresas para inserção desses jovens no mercado de trabalho, participação da sociedade civil para acolhimento em atividades extracurriculares. Existem uma série de ações que podem ser efetuadas, mas a cobrança perante as instituições governamentais deve ser forte e incisiva, para que não ocorra desvios monetários e o recurso chegue aos mais necessitados.
Esse é um problema não apenas governamental, mas da sociedade brasileira. E o caminho a ser percorrido é longo. A única certeza que se tem é que a nossa realidade somente será alterada se deixarmos a inércia de lado e entendermos que o problema dos vulneráveis é um problema de todos e cobrar as autoridades públicas as providências necessárias.