O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 13/12/2021
´´É sobre isso e tá tudo bem´´ é uma nova gíria brasileira que remete à normalização de determinados assuntos e realidades. Para isso, a expressão evoca a não necessidade em modificar situações e deixá-las em estado de inércia. Logo, o impacto das desigualdades no âmbito escolar é um quadro contraposto a qualquer ideia otimista, pois o fator financeiro e a distância dos principais centros escolares são razões que acentuam a exigência de ações reparadoras.
A princípio, a característica socioeconômica das famílias é uma noção que problematiza o acesso amplo às escolas qualificadas. Essa verdade comunga com o quadro ´´Os Retirantes´´, do pintor Cândido Portinari, o qual utiliza do semblante sofrível de uma família de fugitivos da seca para retratar as mazelas da pobreza. Nesse viés, as mesmas expressões faciais da obra artística ainda são impressas nos atuais rosto, haja vista que o impacto da urgência financeira afasta muitos jovens das escolas e de outros cursos profissionais. Sobre isso, o expensivo valor das matrículas e de outros materiais escolares são duas razões que afugentam as comunidades juvenis do ensino, uma realidade que aumentou nos períodos de pandemia, na qual os alunos pobres foram os mais prejudicados com o fechamento dos colégios, informação retirada do instituto de pesquisa Datafolha. Em suma, o gatilho econômico é um fator que determina desigualdades na área educativa.
Outrossim, a longínqua distância dos espaços mais qualificados de ensino é outro agravante cada vez mais presente. Tal acepção contempla o desenho ´´Scooby-Doo´´, que em várias cenas mostra a utilidade de uma van máquina de mistérios - veículo adepto a deixar um grupo de adolescentes em qualquer espaço para resolução de seus desafios-. Nesse contexto, a falta de tal mecanismo dificulta o acesso de vários alunos a ambientes qualificados de ensino. Em vista disso, o espaço educativo se torna privilégio encarregado não somente para aqueles com potencial econômico, mas com o usufruto de um veículo de transporte. Desse modo, a distância é fator que acentua a desigualdade vigente.
Compete, portanto, a ação de agentes sociais no quadro de disparidades no cenário educativo. Para isso, o Ministério da Educação deve dispor filas cadastrais nos bairros, com o sorteio de bolsas promocionais e de cursos profissionalizantes, por meio das mídias, pois democratizará o acesso educativo qualificado, com fins em romper qualquer desigualdade operante. Em destino às prefeituras locais, propõe-se a projeção de ônibus escolares, mediante verbas estatais, posto que sanarão os problemas da longínqua distância, a fim de permitir a presença dos alunos nas escolas. Sem isso, as desigualdades no âmbito escolar não serão vistas como um problema e novamente serão banalizadas.