O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 18/05/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude e a desesperança refletidas no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de desolação. Para além da obra, observa-se que o sentimento de milhares de jovens assolados pela desigualdade evidente entre os setores de
educação pública e privada é semelhante ao ilustrado pelo artista. Causas disso são: a negligência estatal e a desigualdade social.
Em primeira análise, cabe destacar a negligência governamental como um agente causador do problema. A esse respeito, o sociólogo francês Émile Durkheim afirma que é dever do Estado gerenciar questões relacionadas ao progresso coletivo. A máxima do intelectual, todavia, destoa do cenário atual, fato que se materializa na quantidade irrisória, especialmente por parte do Ministério da Educação, de políticas que tenham o propósito de atrair alunos, como investir em bibliotecas e em laboratórios de informática. Logo, enquanto as autoridades não tomarem providências cabíveis, a igualdade na qualidade de ensino entre as esferas públicas e privadas não será uma realidade.
Em segunda análise, pontua-se a disparidade econômica como influente no revés. Nesse sentido, o escritor Ariano Suassuna defende a existência de uma injustiça secular capaz de dividir o país em duas vertentes: a dos favorecidos e a dos despossuídos. Sob essa lógica, a parcela populacional pertencente ao grupo desfavorecido, que depende exclusivamente dos serviços públicos por ser incapaz de arcar com os custos privados, torna-se inapta de usufruir os direitos básicos de forma efetiva devido ao desinteresse no investimento desses. Assim sendo, necessita-se de meios que amenizem a situação.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar as desigualdades escolares. Dessarte, é importante que o governo federal, instância máxima de administração pública - por intermédio do Tribunal de Contas - , intensifique os investimentos na educação, disponibilizando aparelhos tecnológicos, por meio de verbas destinadas ao setor público de ensino a fim de promover condições escolares igualitárias. Tais ações, a longo prazo, serão capazes de reverter esse cenário de angústia semelhante ao ilustrado na obra de Edvard Munch.