O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 24/06/2022
A dramaturgia brasileira “Que horas ela volta?” retrata a antagônica realidade entre dois jovens que têm a mesma ambição - entrar em uma universidade - mas possuem estados financeiros que evidenciam o grau díspar de privilégios que enfrentarão. Fora da ficção, é fato que o cenário personificado no filme está justaposto ao hodierno. Logo, enquanto o sistema educacional for paulatinamente erradicado de forma heterogênea, o âmbito escolar entrará frequentemente em questão como reflexo social.
Em princípio, é válido ressaltar que a heterogeneidade no progresso de aprendizagem é resultado do desnivelamento de qualidade estudantil dado pelo investimento monetário parental. Dessa forma, o sociólogo brasileiro Florestan Fernandez defende a tese sobre democratização de ensino, pautada na idéia de que os estudos são ferramentas de transformação para combater a desigualdade. Dessarte, enquanto a qualidade de ensino for uma utopia econômica, a mudança será exceção.
Por conseguinte, o âmbito escolar é sustentáculo inconteste para formação moral, civil e acadêmica de um indivíduo. Consoante a isso, o sociólogo contemporâneo Émile Durkhein fomenta a influência educacional no meio social, afirmando que o homem mais do que formador de uma sociedade, é produto dela, ou seja, o processo estudantil e as suas experiências empíricas possuem papel de ascendência coletiva. Sendo assim, um ensino com intermediária qualidade pode implicar diretamente na formação de classes sociais por meio da ausência de nivelamento precoce.
Portanto, é míster que medidas sejam tomadas para que haja mudança no cenário atual. Com o intuito de atenuar o impacto das desigualdades sociais no progresso estudantil, urge que o Ministério da Educação (MEC) em parceria com secretarias municipais e estaduais fiscalizem condições básicas de escolas, e deem apoio para que haja padronizações, destinando parte do orçamento nacional para instituições - como forma de auxílio, a fim de contribuir econômicamente com o avanço homogêneo - Somente assim a personificação de “Que horas ela volta?” poderá ser questionada como distopia.