O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 06/07/2022
A dramaturgia brasileira “Que horas ela volta?” retrata a antagônica realidade entre dois jovens que têm a mesma ambição - ingressar em uma universidade - mas possuem estados financeiros que evidenciam o grau díspar de privilégios que enfrentarão. Fora da ficção, é fato que o cenário personificado no filme está justaposto ao hodierno. Logo, na medida que o sistema educacional for paulatinamente erradicado de forma heterogênea, o âmbito escolar entrará frequentemente em questão como reflexo social.
Em princípio, é válido ressaltar que a heterogeneidade no progresso de aprendizado é resultado do desnivelamento de qualidade estudantil dado pelo investimento monetário parental. Dessa forma, o sociólogo brasileiro Florestan Fernandez defende a tese sobre a democratização de ensino, pautada na idéia de que os estudos são ferramentas de transformação para combater a desigualdade. Destarte, enquanto a qualidade de ensino for uma utopia econômica, a mudança será uma exceção.
Por conseguinte, o âmbito escolar é sustentáculo inconteste para formação moral, civil e acadêmica de um indivíduo. Consoante a isso, o sociólogo contemporâneo Émile Durkheim fomenta a influência educacional no meio social, afirmando que, o homem mais do que formador de uma sociedade, é produto dela, ou seja, o processo estudantil e as suas experiências empíricas possuem papeis fundamentais de ascendência coletiva. Sendo assim, um ensino com intermediária qualidade pode implicar diretamente a formação de classes sociais por meio da ausência de nivelamento precoce.
Portanto, é míster que medidas sejam tomadas para que haja mudança no cenário atual. Com o intuito de atenuar o impacto das desigualdades sociais no processo educacional, urge que o Ministério da Educação (MEC) em parceria com secretarias municipais e estaduais fiscalizem condições básicas de escolas, e deem o apoio necessário para que haja padronizações, destinando parte do orçamento nacional para instituições - como forma de auxílio, a fim de contribuir econômicamente com o avanço homogêneo -. Somente assim, a personificação de “Que horas ela volta?” poderá ser questionada como distopia.