O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares

Enviada em 10/07/2022

No documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, dirigido por João Jardim, retrata as múltiplas realidades que cercam a educação brasileira no século XXI. Nessa longa-metragem, é exposta a precariedade da ausência de estrutura e oportunidades, no caso dos menos favorecidos. Isso ocorre, não apenas por problemas de investimento nem de gerenciamento, mas por causa de uma estrutura desigual no seu todo.

Em primeiro lugar, é relevante destacar que pesquisas da área da sociologia apontam, que existe no Brasil, uma forte relação entre a origem social do aluno e o seu sucesso escolar. Por outro lado, a pobreza, a desigualdade social e o contexto familiar explicam o sucesso. Nesse sentido, é lícito referenciar o filme " Escritores da Liberdade", onde é narrado desafios enfrentados por uma professora para a educação de jovens marcados pela violência, descrença, desmotivação e principalmente, por conflitos raciais. Sob essa perspectiva, constata-se que grande parte dos estudantes brasileiros sofrem diferentes tipos de discrepância , como a exclusão dentro do próprio sistema escolar, quando os alunos têm acesso a condições desiguais da oferta educacional.

Em segundo lugar, ressalta-se dados de um levantamento feito pelo Todos pela Educação, nessa pesquisa a desigualdade educacional aprofundou em 57,5% dos municípios brasileiros entre 2015 e 2019. Esse quadro é agravado quando, frequentemente, os recursos educacionais têm a distribuição regressiva. Por exemplo, ao analisar os indicadores de infraestrutura escolar, percebe-se que a maior parte das escolas com infraestrutura boa atende as parcelas mais ricas da população. Segundo o filósofo Jonh Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Logo, é evidente a grande importância e a responsabilidade das organizações educacionais que, em conjunto com outras políticas socias, precisam incorporar este olhar sobre as dissimetrias, no momento da formulação.

Portanto, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe ao Ministério da Educação, criar políticas públicas de assistência estudantis às camadas menos favorecidas, visando diminuir as assimetrias presentes em diferentes níveis econômicos. Essa ação pode se concretizar por meio de investimentos nas escolas públicas, na formação de professores que estejam capacitados a ensinar reconhecendo as diferenças e a criação de um plano customizado com aulas de reforço personalizadas para cada caso. Espera-se, com essas medidas, que os problemas discutidos sejam paulatinamente erradicados.