O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 23/07/2022
O filósofo Pierre Bourdieu, em sua obra “Razões Práticas”, afirma que o capital cultural são os bens intelectuais transmitidos familiarmente, seja através de viagens, visitas à exposições artísticas, acesso a uma boa educação etc. Sob esse contexto, torna-se observável que pessoas de baixa renda não conseguem transmitir um bom capital cultural, haja vista que existem altos custos para isso. Nesse sentido, muitos problemas sociais se apresentam no Brasil, com destaque para o baixo aproveitamento escolar das pessoas com pouca renda e para as diferenças qualitativas entre o ensino público e o privado no País.
Nesses termos, muitas dificuldades vivenciadas no dia a dia dos brasileiros são decorrentes das suas péssimas vidas escolares. Nesse contexto, de acordo com os dados do Ministério da Educação, há 25,5 por cento de reprovação no primeiro ano do ensino médio nas escolas públicas. Tal dado, aliado ao fato de que essas instituições são mais frequentadas por pessoas pobres, aponta que as bases educacionais do Brasil não são consistentes. Tudo isso acaba prejudicando os mais vulneráveis, pois eles não conseguem ser bem intruídos como os mais abastados.
Outrossim, as metodologias pedagógicas do ensino particular são muito superiores as do ensino público. Como prova disso, pode-se mencionar os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em que mostram que as escolas privadas possuem as melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio. Esse cenário demontra que o setor público de ensino não dispõe de estrutura, métodos e professores capacitados o bastante para competir em igualdade com as escolas privadas. Assim, é nítido que aqueles que estudam nos melhores lugares conseguirão as melhores oportunidades no futuro.
Portanto, fica clara a necessidade da ação governamental para findar os impasses sobreditos. Logo, o Ministério da Educação deve reformular a Base Nacional Comum Curricular, fazendo uma modernização nos métodos de aprendizagem do ensino fundamental e médio, por meio de uma ampla consulta com pedagogos e professores das diversas áreas do conhecimento. Com isso, os mais pobres terão mais saberes técnicos para o curso de suas vidas. Tomando-se essas medidas, o capital cultural nacional será mais abundante e equânime.