O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 18/08/2022
O código legislativo brasileiro, por meio da Constituição Federal, prevê, no artigo 205, a educação de qualidade a todos, com o intuito de qualificar os indivíduos pa-ra a entrada no mercado de trabalho. Essa premissa, ainda que idealizada no pa-pel, infelizmente, não ocorre de maneira satisfatória no país, haja vista os reflexos dos entraves sociais no sistema educacional brasileiro e o descaso governamental nessa área. Diante disso, nota-se que os impactos dessa questão devem ser anali-sados, de modo que as injustiças socioeducacionais sejam revertidas.
Nesse sentido, nota-se a dicotomia entre o ensino público e o ensino privado, questão essa que enfatiza as dispariedades entre os alunos brasileiros. Tal conjun-tura é visível ao analisar a pandemia do covid-19, em 2020, a qual, devido aos cui-dados sanitários, encerrou as atividades físicas educacionais em todo país. Por con-seguinte, os estudantes de baixa renda, majoritariamente alunos das escolas públi-cas, enfrentaram dificuldades ao darem continuidade aos estudos, haja vista a au-sência de recursos para implementação do ensino remoto, como a internet. Em contrapartida, estudantes da rede privada inovaram os métodos de estudos atra-vés das aulas à distância. Dessa maneira, é nítido que o sistema educacional é alvo das divergências socioeconômicas, o que torna desigual o ensino no país.
Outrossim, entende-se que a educação deve ser ampliada a todos, de modo que os indivíduos utilizem-a para transformar o mundo e modificar os paradigmas so-ciais, como prevê o sábio Paulo Freire, por meio da obra “Pedagogia do Oprimido”. Contudo, tal teoria vai de encontro aos moldes educacionais brasileiros, uma vez que o ensino ofertado às classes de baixa renda, muitas vezes, ocorre de modo precáreo em razão da falta de recursos destinados a essa área, como é visto no corte de orçamentos em 2022. Assim, a educação libertadora e capaz de mudar a realidade é, infelizmente, uma utopia aos que dependem do ensino público.
Torna-se imperioso, portanto, que o Ministério da Educação trabalhe ativamente para mudar essa questão, por intermédio da implementação de melhorias no sistema público de ensino, desde a ampliação de recursos que congretizem o ensino remoto à incentivos que fomentem a educação crítica. Essa ação deve ser realizada a fim de romper com os impactos da desigualdade social na educação.