O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 29/08/2022
A obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata uma família de sertanejos que por não possuir boas condições socioeconômicas, não teve acesso à educação. De maneira análoga, no contexto hodierno, nota-se um impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares, uma vez que, assim como no livro, a pobreza tirou, de muitos, o direito de estudar. Destarte, a negligência governamental e a insuficiência legislativa potencializam essa problemática.
Em primeira análise, a negligência estatal, no que tange à infraestrutura das escolas públicas, intensifica esse processo. Nessa perspectiva, segundo o pedagogo brasileiro Paulo Freire, só é possível haver mudança na sociedade se a nuance educacional for prioridade do Estado. Sob esse viés, a falta de investimento nas unidades de ensino público faz com que as discrepâncias sociais reflitam nas discrepâncias escolares, visto que para muitos alunos carentes financeiramente, a escola é uma forma de melhorarem suas vidas.
Ademais, vale ressaltar que a questão constitucional e sua aplicação estão intrínsecas a esse problema. Nesse sentido, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), garante e protege os direitos à educação e à respeitabilidade. Entretanto, de acordo com pesquisas feitas pelo portal de notícias R7, 39,1% dos estudantes entre 14 e 29 anos deixaram os estudos por causa da necessidade de ajudar suas famílias economicamente. Ou seja, há um descumprimento do ECA quando o governo não assegura o direito de estudar dessas crianças, e, consequentemente, tira-nas sua dignidade.
Infere-se, portanto, a urgência de mitigar as desigualdades sociais, e, por tabela, as desigualdades escolares. Nesse aspecto, é indubitável que o Ministério da Educação em conjunto com o Governo criem projetos e cartilhas, as quais alcancem as famílias mais humildes, para que a infraestrutura das unidades públicas seja melhorada e os jovens acolhidos a fim de não precisarem mais abandonar os estudos por causa de motivos financeiros. Por conseguinte, a realidade brasileira não se assemelhará mais com a da obra “Vidas Secas”, do autor Graciliano Ramos.