O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 30/09/2022
Nesse sentido, nota-se a correlação entre a desigualdade social e escolar, pois a parcela mais rica da sociedade dispõe dos melhores ensinos do país, enquanto a parte pobre conta com os piores índices no ranking educacional. Isso acontece porque o governo, mesmo ciente do poder transformador da educação, não destina os investimentos necessários para que as escolas públicas possam funcionar com uma estrutura básica minima. Isso mostra que não há uma única forma de desenvolvimento do cidadão, pois todas estão correlacionadas, teoria essa defendida pelo historiador José Murilo de Carvalho, o qual reflete sobre como a desigualdade entre a população impede a constituição de uma sociedade democrática. Assim, é necessário que esse país desigual, retratado na obra naturalista de Álvares Azevedo e vivido pelas pessoas menos abastadas, passe a ser apenas ficção e não mais parte da realidade do Brasil, país este que apesar de ser a 13° economia mundial, segundo o FMI, não dispõe de uma distribuição equitativa de oportunidades para os seus cidadãos.
Por conseguinte, essa persistente disparidade nos campos educacionais e sociais afeta profundamente a vida dos indivíduos em diversos aspectos e dificulta o acesso destes às classes sociais mais elevadas. Tal fato pode ser explicado na realidade vivida pela população de camadas sociais mais baixas: escolas públicas precárias, professores com salários baixos, pouco estímulo educacional, enquanto as escolas particulares dispõe de avançados recursos para fomentar a aprendizagem dos seus alunos. Tudo isso é reflexo da desigualdade social, a qual respinga também na escolar, e faz com que os estudantes brasileiros não tenham oportunidades iguais para desenvolverem-se. Logo, fica evidente que o país ranquiado na 9° posição no quesito de desigualdade social, segundo o IBGE, e que tem como realidade 1% de sua população detentora de mais da metade das riquezas nacionais, necessite urgentemente mudar essa discrepante realidade.
Portanto, urge a necessidade de superação desse cenário de desigualdade social e educacional no Brasil. Para isso, é fundamental que o Poder Executivo federal, mais especificamente o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Economia formulem e financiem o melhoramento das estruturas escolares públicas, bem como ações que oportumizem melhores condições sociais para os cidadãos que mais sofrem com os malefícios da desigualdade. Tais ações devem ocorrer por meio da criação de um Projeto Nacional de Incentivo à Igualdade Social e Escolar, o qual servirá de instrumento para garantir a efetividade em todo o país. Isso será feito a fim de garantir a todos os brasileiros o mesmo Brasil, com qualidade de vida e de igualdade.