O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 26/01/2023
O mito da caverna, de Platão, é uma alegoria, que representa uma sociedade que se recusa a sair da sua zona de conforto para enfrentar a realidade. Fora da narrativa, esse mesmo comportamento ignorante é visível no que se diz respeito ao efeito das diferenças sociais no parâmetro escolar, uma vez que a elitização da educação cria uma classe trabalhadora manipulável, o que reduz as chances de ascensão social.
Nesse sentido, torna-se válido apontar as severas consequências que vêm com a privatização do ensino. Concomitante, a revista Forbes apontou que, em dezembro de 2022, havia 1,35 trilhões de dólares em débito estudantil nos Estados Unidos. Consequentemente, essas dívidas, que acontecem em vários outros países no qual não existe ensino superior público, seguem os formandos pelo resto da vida, ocupando uma grande parte de suas despesas, o que os coloca em uma posição de desvantagem social.
Ademais, convém ressaltar o perigo de restringir o acesso à educação ao proletariado de um país. Em conformidade com essa ideia, Francis Bacon, filósofo britânico, acreditava que conhecimento significa poder. Logo, quando não existe a preocupação de melhorar o ensino público, milhões de pessoas acabam desprovidas do senso crítico necessário para formar suas próprias opiniões, sem depender de fake news ou pós verdades.
Em síntese, uma formação de qualidade é direito de todos. Portanto, a Organização das Nações Unidas (ONU), como parte do objetivo 4 (educação para todos) das 17 metas de desenvolvimento sustentável, deveria desenvolver um sistema de bolsas de estudo. Visto que essa ação é possível por meio da colaboração financeira internacional, a fim de de aumentar a mobilidade social que vem com o ensino, torna-se dever da ONU sair da sua caverna para enfrentar a realidade de que todos humanos merecem uma boa educação.