O impacto das desigualdades sociais nas desigualdades escolares
Enviada em 28/06/2023
Embora a Constituição Federal de 1988 reconheça a todos o direito fundamen-tal à educação, a sua intensidade varia conforme a classe social a que se pertence. As desigualdades sociais prejudicam a qualidade do ensino, ao ponto de gerar dis-torções educacionais entre alunos, uma vez que o gozo de tal direito depende das condições materiais dos educandos. Por conseguinte, tem-se um ciclo vicioso, pois as desigualdades são geradas por desníveis educativos que, por sua vez, proma-nam de desigualdades prévias.
Nesse cenário, a carência de condições dignas de subsistência, como moradia, alimentação, transporte público, entre outros, lamentavelmente atinge o nível de proeficiência dos alunos, tendo em vista que, diante dessa conjuntura, a procura por um emprego qualquer sobrepuja a busca pela devida educação. Tal circuns-tância enseja a evasão escolar. Por isso, os dados do British Council refletem que apenas 1% da população brasileira é fluente em inglês, haja vista que, o aprendiza-do de uma nova língua, bem como de qualquer disciplina, requer a satisfação das condições básicas para o pleno desenvolvimento humano.
Consequentemente, há um ciclo vicioso, porque aqueles desprovidos desses recursos materiais essenciais têm estorvado o seu acesso à educação, de maneira que ficarão impossibilitados de conseguir um bom emprego, cujo salário seja su-ficiente para fornecer condições dignas para seus descendentes. Nesse sentido, o sociólogo Pierre Bordieu aponta que o sucesso da educação dos indivíduos é uma questão de classe social. Diante disso, pode-se afirmar que há também um ciclo virtuoso, já que aqueles com recursos suficientes têm completo acesso à educação, de modo que se tornam aptos financeiramente a garantir o sustento educacional de sua prole.
Diante do exposto, com o intuito de mitigar os danos acarretados pelas desi-gualdades no ensino, faz-se mister que o Ministério da Economia, em colaboração com o Ministério da Educação, por meio de Plano Plurianual, priorize como diretriz educacional o suprimento das condições mínimas de subsistência à população ne-cessitada. Somente assim, ter-se-á de fato a redução das desigualdades sociais e educacionais, concretizando o imperativo constitucional.