O impacto do TikTok no comportamento de jovens
Enviada em 05/09/2023
Na primeira temporada da série inglesa “Black Mirror”, é mostrado um cenário futurista onde o jovem protagonista vive em um ambiente opressivo no qual o seu tempo de trabalho é convertido em pequenas recompensas e a sua privacidade é negada. Paralelamente, no contexto hodierno, as empresas de tecnologia estão criando mecanismos cada vez mais avançados que se utilizam do sistema de recompensa cerebral para viciar os usuários e os tirar o direito à privacidade, sendo a parcela mais jovem a mais vulnerável.
Nesse sentido, no livro “Rápido e Devagar”, Daniel Kahneman explica como o cérebro humano tem dois mecanismos de pensamento, um mais rápido, impulsivo e menos reflexo, o contrário do outro. Com isso em vista, o autor discorre sobre como certos mecanismos de recompensas rápidas, ou seja, que trazem uma instantânea dose de satisfação ao usuário, podem levar à uma compulsão e, em última instância, um vício. No atual contexto, as empresas de tecnologia, como a empresa dona do aplicativo móvel “TikTok” se utilizam desse funcionamento cerebral para moldar os algorítmos que vão automaticamente moldar para fazer o usuário sentir o maior nível de satisfação na máxima velocidade e então ficar preso a rede.
Além disso, essa compulsão leva a uma aceitação rápida da falta de privacidade. Como observado pela mesma sério, em um episódio da mais recente temporada, os “termos e usos” ficam totalmente contra a privacidade do usuário que, sem saber, cede totalmente os seus dados sem praticamente nenhuma garantia de que seus dados mais sensíveis serão mantidos em sigilio. Esse contexto leva a uma forte vulnerabilidade social, na qual as empresas tem pleno acesso a todos os detalhes da vida dos usuários e que, como última consequência, fere o seu direito a privacidade.
Em suma, é necessário uma robusta reflexão sobre esse novo modelo de mídia social, que leve a uma forte ação do Estado e da sociedade civil. Por isso, é necessário que o estado, através do ministério público, abra uma investigação contra as redes sociais mais populares, como Tik Tok, Facebook e Instagram, para esclarecer se a coleta e tratamento de dados está de acordo com os princípios da Constituição Federal de 1988. Juntamente, é necessário uma mobilização conjunta da sociedade civil de concientização do público para os males das redes sociais e as vulnerabilidades de segurança que elas trazem consigo.