O impacto do TikTok no comportamento de jovens
Enviada em 21/04/2024
A renomada Escola de Frankfurt, aglomera relevantes teorias filosóficas acerca da modernidade e explicita, no enxerto sobre “indústria cultural”, a manipulação da sociedade pelas mídias na medida em que essas últimas se tornam “industrializadas” ao determinarem, de forma massificada e destrutiva, as diretrizes culturais de sua época. Nesse sentido, as redes sociais corroboram para a alienação do corpo civil e exercem influência negativa no comportamento dos usuários. Exemplo dessa infeliz conjuntura é a ascensão do Tik Tok, recente plataforma destinada à criação e ao compartilhamento de vídeos curtos, uma vez que ela normatiza más condutas e abala relações profissionais essenciais à comunidade.
Logo, é primordial destacar que mídias como as supracitadas intensificam, em seus usuários, a dissolução de senso crítico. Sobre essa problemática, a filósofa Hannah Arendt aponta a tendência de banalização do mal presente nas sociedades hodiernas. De acordo com ela, ações malignas são facilmente normatizadas caso sejam compreendidas como expressões dos valores culturais de uma época. Sendo assim, é fato que essa lógica se aplica, inclusive, à experiência online dos internautas, já que, no Tik Tok, permeados por humor e descontração, os mesmos podem ter sua criticidade deturpada, sendo induzidos a confundir xingamentos e outra transgressões éticas a piadas inofensivas.
Outrossim, é indubitável que tal cenário impacta o comportamento de especialistas, levando-os a expor e denegrir seus clientes. Prova explícita desse fato foi a postagem, pela cirurgiã plástica Caren Trisoglio, no Tik Tok, de vídeos seus manuseando indevidamente pele e gordura de pacientes, ato repulsivo compartilhado por inúmeros espectadores. Dito isso, fica claro que a alienação pode degradar relações profissionais na medida em que influencia médicos e advogados a desrespeitarem seus contratantes.
Portanto, objetivando atenuar esse quadro de controle comportamental pela indústria cultural, é mister que o Estado, em consonância com o Ministério da Educação e com suas Secretarias, promova a conscientização acerca desse imbróglio.