O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.
Enviada em 03/09/2019
Na perspectiva de McLuhan, vivemos o período da “Aldeia global”, uma vez que o fluxo informacional interligado comercialmente é característico da contemporaneidade. Diante disso, o debate acerca da influência de blocos econômicos internacionalmente é recorrente, já que são responsáveis pela intensificação do comércio mundial. Todavia, ainda que primordiais para a economia, os impactos destes tendem a ser desiguais em negociações, visto que não beneficiam mutualmente os integrantes de tais grupos. Sendo assim, as insatisfações políticas e econômicas, aliadas à balança comercial desfavorável, são os principais efeitos da problemática.
Em primeiro lugar, o descontentamento político advindo das negociações é uma realidade. Segundo Karl Marx, a superestrutura administrativa é subordinada à infraestrutura econômica. Analogamente ao exposto, acordos comerciais de blocos econômicos impactam diretamente as questões políticas de seus integrantes, que, por sua vez, afetam a organização administrativa. Exemplo disso, é o caso da União Europeia, no qual medidas adotadas pelo bloco não satisfazem às políticas internas da Inglaterra e comprometem a estabilidade do governo inglês. Ou seja, a generalidade das negociações econômicas causa divergências, uma vez que afeta a gestão governamental.
Em segunda instância, frente às divergências políticas, o desfavorecimento de alguns integrantes de blocos econômicos é outro efeito da rede comercial. Esse cenário advém da competitividade quanto aos produtos comercializados, que tende a privilegiar alguns países em detrimento de outros. De acordo com dados da Organização Mundial do Comércio- OMC-, o Brasil exporta principalmente produtos primários, os quais, quando comparados aos produtos industrializados e tecnológicos, são desvalorizados no comércio mundial. É diante do exposto que o balanço comercial é desequilibrado, visto que o mercado prioriza produtos de alta competitividade.
Em suma, evidencia-se que, apesar de importantes para o comércio internacional, blocos econômicos geram relações de desequilíbrio comercial. Nesse sentido, cabe à Organização Mundial do Comércio-OMC-, em parceria com os Estados Internacionais, criarem a “Conferência do Desenvolvimento Mútuo”. Nela, deve haver, mediante legitimação mundial, a ampliação da atuação reguladora da OMC e a solicitação de reavaliação de acordos econômicos, a fim de equilibrar e equiparar o mercado internacional, com respeito às políticas internas de cada país. Portanto, com finalidade de garantir o fluxo comercial seguro e interligar as nações mutualmente, conforme a “Aldeia global” de McLuhan.