O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.
Enviada em 16/09/2019
Na última semana de junho deste ano, foi anunciado o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia após 20 anos de negociações. Tudo indica, porém, que não são poucos os motivos para as discussões terem demorado tantos anos. Apesar de muitos pontos interessantes, o texto do acordo traz problemas em relação aos setores da produção local, voltados para o mercado interno dos países do bloco, que serão duramente prejudicados pelo fim do imposto de importação. O caso da produção de vinhos é o mais emblemático deles.
Na reportagem do jornal Estado de Minas, intitulada “Produtores de vinho no Brasil estão preocupados com o acordo Mercosul/UE”, foram ouvidos os representantes dos produtores brasileiros de vinho e a Ministra da Agricultura, Teresa Cristina. Na matéria, eles comentam os problemas trazidos pelo acordo comercial. Segundo o jornal, a taxa sobre o vinho importado chegará a zero em 8 anos. Os dois lados, desse modo, têm consciência de que os produtores nacionais já enfrentam forte concorrência dos vinhos importados, e que o fim do imposto de importação tornaria os produtos de fora, que já são melhores e subsidiados, ainda mais baratos. Logo, pode-se verificar a intenção do governo de proteger o produtor local da liberalização que promove o acordo.
No entanto, as soluções apontadas por produtores e governo são, claramente, distintas. Os primeiros, por exemplo, enxergam a saída deste impasse através da isenção de impostos internos como IPI, ICMS, PIS e Cofins, que somam 44,73% do preço total da garrafa. Enquanto isso, a ministra sugere a criação de um fundo, formado pela arrecadação do IPI dos vinhos nacionais e importados, para a modernização da produção local. Portanto, há aqui um impasse entre uma isenção ainda maior de impostos, e a questão fiscal do governo travestida de proposta de modernização da produção local. Em suma, o caso dos vinhos é um emblema da contradição, entre os governos e seus produtores locais, após o anúncio do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Cabe a esses produtores, então, informar a população acerca das negociações realizadas com o Ministério da Agricultura, bem como alertar sobre as consequências negativas que o fim da produção nacional para o mercado interno traria à economia. Assim, por meio de produtos audiovisuais postados no Youtube, espera-se persuadir a opinião pública de que o mercado interno é importante para o desenvolvimento econômico.