O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.
Enviada em 28/10/2019
Em meados de 2016, a União Europeia iniciou um drama que perpetua até os dias atuais, o “Brexit”, termo que passou a designar o desejo de o Reino Unido se retirar do bloco econômico. Essa situação é capaz de refletir a situação dos blocos econômicos da atualidade, em que, ainda que os acordos procurem ser bilaterais, atendendo os desejos de ambos lados, ocorrem muitos interesses conflitantes. Dessa forma, apesar de parecer uma boa iniciativa, os blocos econômicos podem trazer consequências negativas ao comércio de seus integrantes.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o comércio com outros grupos pode ser prejudicado pelos blocos econômicos. Isso se deve porque existem restrições, dentro dos acordos dos blocos, que geram políticas protecionistas, fazendo com que os países percam parte de sua independência. A exemplo disso, o Brasil, membro do Mercosul (Mercado Comum do Sul) há mais de vinte anos tenta negociar um acordo com a União Europeia, porém, há uma cláusula em que os integrantes só podem comercializar com outros blocos caso haja participação de todos os países membros. Assim, o agrupamento de países pode levar a exclusão de outros, prejudicando a economia nacional.
Além disso, os blocos econômicos também podem garantir um impacto negativo ao comércio interno de um país membro. Uma vez que as taxas de importações entre os blocos são reduzidas, ou até mesmo eliminadas, o comércio interno de uma nação pode ter um grande concorrente a sua altura para o mercado local. Como exemplo disso, a importação de carnes da Argentina prejudicou a economia do Sul do Brasil, uma vez que o produto vindo do exterior acabava sendo vendido a um preço menor, pela diferença das tributações em impostos sobre o produto, sendo o brasileiro muito superior. Então, as mercadorias nacionais são desvalorizadas e os produtores locais, lesados.
Logo, é possível verificar que, apesar da tentativa de melhoria econômica, os blocos econômicos trazem impactos para os Estados. Dessa forma, no caso brasileiro, o Ministério da Economia deve buscar a conciliação de interesses entre os produtores locais e os membros do Mercosul, por meio de conferências com os grupos envolvidos, a fim de não prejudicar a economia dos cidadãos brasileiros, e nem mesmo a interessante movimentação econômica entre o bloco. Além disso, de forma semelhante, os Estados-membro do Mercosul podem realizar um acordo, envolvendo todos países inclusos, a fim de gerar aproximação com a União Europeia, para que os blocos econômicos possam conquistar interesses conciliadores e, por fim, trazer consequências positivas a todos os membros, evitando novos “Brexit”.