O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.

Enviada em 20/09/2020

A globalização, estudada pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, permitiu o surgimento dos blocos econômicos. Se, por um lado, essa associação entre países busca integrá-los comercialmente, por meio da isenção de tarifas, como ocorre com a União Europeia (U.E), por outro, essas nações fecham suas economias para os não pertencentes ao bloco. Sendo assim, os impactos dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes são: a desigualdade nas trocas comerciais entre os próprios países membros, além da adoção de práticas protecionistas contra as nações não associadas.

A princípio, é importante salientar que, embora o bloco econômico propicie a seus integrantes uma troca comercial isenta de taxas, essa associação tem como desvantagem a disparidade no valor agregado das mercadorias comercializadas. Nesse sentido, um tratado comercial pode arruinar a economia de um país, como quando Portugal, no século XVIII, assinou o Tratado de Methuen com a Inglaterra. Esse acordo estabeleceu o comércio sem taxações entre o vinho português e as roupas inglesas, mas como o valor das bebidas era menor em relação aos tecidos, a economia ibérica entrou em crise, por conta do déficit na sua balança comercial. Sob tal perspectiva, esse fato revela que, mesmo que haja um comércio sem barreiras alfandegárias, como em um bloco econômico, ele só será benéfico a ambos os países se os valores das mercadorias comercializadas não forem discrepantes.

Ademais, no sentido oposto de uma maior integração mundial, os blocos econômicos fecham as economias de seus países membros, o que revela a face contraditória da globalização. Nesse ínterim, Milton Santos define esse fenômeno como a face perversa da mundialização, pois, ao mesmo tempo  em que se defende o livre mercado, o países integrantes impõem uma série de restrições comerciais aos não integrantes. Para exemplificar esse claro protecionismo, a U.E deixou de assinar um acordo comercial com os agricultores do Brasil ao alegar que estes desrespeitam o meio ambiente, quando, na verdade, o real motivo foi a defesa dos produtores europeus em relação aos produtos brasileiros. Logo, essa situação preocupa, já que a Primeira Guerra Mundial teve como causa um comércio entravado.

Portanto, tendo em vista que os principais problemas gerados pelos blocos econômicos são as relações desiguais entre os integrantes e o protecionismo, urge que a Organização Mundial do Comércio intervenha quando essas situações ocorrerem. Essa intervenção pode ocorrer por meio de multas aos blocos econômicos que fecharem excessivamente o mercado de seus países, como na relação entre U.E e Brasil, ou quando houver uma nítida desigualdade comercial entre os países do próprio bloco, o que evitaria que o caso do Tratado de Methuen ocorresse novamente. Desse modo, o comércio mundial alcançará uma integração diferente daquela evidenciada por Milton Santos.