O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.

Enviada em 21/09/2020

O mundo globalizado atual encontra-se em intensa interdependência econômica entre os países e blocos econômicos, a maior prova disso foi a crise de 2008. Em suma, ela se iniciou nos Estados Unidos, com a  crise imobiliária, que afetou as bolsas de valores ao redor do mundo, chegando a ocorrer decretação de falência de países europeus, como a Grécia, e sendo menos intensa em países emergentes como o Brasil. Essas fortes correlações, essencialmente financeiras, são carregadas de prós e contras a serem criteriosamente analisados pelos envolvidos.

Assim, acordos econômicos bilaterais podem desestimular o desenvolvimento da produção interna em detrimento do produto importado, que desequilibra a balança comercial nacional. Por exemplo, o Brasil apesar de ser um grande produtor de petróleo, não desenvolveu refinarias específicas para esse óleo que é mais denso, obrigando-o a exporta-lo e, posteriormente, importar os derivados como o diesel e a gasolina. As refinarias existentes são obsoletas e desprovidas de investimentos tecnológicos, um incompreensível descaso que reforça o déficit gerado por vender matéria-prima, que tem menor valor de mercado, e comprar o produto final em moeda mais cara.

Por outro lado, se um país que possui demasiada capacidade natural na produção de determinado insumo, negociá-lo pode lhe por em posição de vantagem para contrapor os volumes importados de outro produtos. Nesse sentido, a Rússia é o maior produtor de gás natural do mundo, seu maior consumidor, o bloco Europeu, sozinho compra 65% do volume exportado, de acordo com uma matéria da BBC. Assim, é essencial saber desfrutar de recursos próprios para firmar negociações benéficas a economia interna.

Portanto, acordos financeiros internacionais podem gerar déficits ou superávits, encontrar o equilíbrio é uma tarefa difícil que deve ter iniciativa de ambos os lados. Para tanto, é importante que tais acordos sejam multilaterais para que os países de menor poder político internacional não sejam subjugados e destinados a um estado de passividade diante de grandes países, evitando injustiças e a permanência da hierarquia entre de países subdesenvolvidos e desenvolvidos, em que os primeiros servem aos últimos. Além disso, analisar o impacto no mercado interno a longo prazo, para não ruir com o potencial nacional e minimizar a dependência da estabilidade política e econômica do outro.