O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.

Enviada em 23/09/2020

A União Europeia é um dos maiores exemplos de blocos econômicos bem sucedidos da história global. Destruídos após a Segunda Guerra Mundial, os países europeus juntaram suas forças para reerguer o Velho Mundo. Nos dias de hoje, o mundo está todo dividido em novos blocos (muitos, claro, entrelaçados), porém que vêm se desvencilhando face a uma nova onda nacionalista, tendo como maior caso o Brexit, onde a Inglaterra tenta sair da supracitada UE. O que muitas vezes se esconde nesse nacionalismo beirando o preconceito é o fato que os blocos econômicos realmente são, muitas vezes, prejudiciais às economias nacionais.

Mesmo que mercados comuns e instituições supranacionais beneficiem os países com a livre circulação de bens, moedas integradas e em geral uma política comercial interessante a todos, a falta de liberdade e independência das nações no quesito econômico gera, nas entrelinhas do balanço comercial favorável que se vê olhando apenas pros blocos, perdas imensuráveis de oportunidades de importação e exportação. Isso é visível no estudo do Instituto Pesquisa Econômica Aplicada, que especulou perda de um bilhão de dólares em um tratado de 2004 que não aconteceu entre Brasil e UE por acordos brasileiros no Mercosul. Isso não quer dizer que o nosso país tem que quebrar vínculos com o bloco sul-americano, apenas que essas alianças deveriam ser mais brandas: uma política econômica que modere as tarifas e quaisquer barreiras alfandegárias entre o conjunto de nações, e não as forcem a se impedir de fazer outras relações internacionais.

Além da balanço internacional da economia, é importante olhar pro mercado interno. Por vezes, blocos econômicos acabam ferindo a capacidade de produção local e deixando os países completamente dependentes uns dos outros. Para concretizar essa ideia, tenhamos de exemplo o acordo de 2019 entre as já muito mencionadas União Europeia e Mercosul, que prometeu gradativamente acabar com a tarifação de vinhos europeus e latino-americanos importados pro Brasil. Enquanto não há problema nessa ação, vem por baixo disso uma consequente crise no mercado nacional de vinhos: a taxação brasileira já chegou a mais de cinquenta por cento. É indispensável que, juntamente com essas relações comerciais externas, venha o fortalecimento do comércio interno.

Em suma, o modo no qual os blocos econômicos internacionais são moldados atualmente é sim prejudicial às economias internas. Para impedir isso, é preciso que os blocos afrouxem os laços exclusivistas deixando países individuais fazerem acordos internacionais e que os governos, por exemplo pelo nosso Ministério da Economia, continuem fomentando o comércio local, promovendo a competição justa no mercado. Com isso, não só o Velho Mundo, mas o mundo inteiro, se ergue junto.