O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.

Enviada em 26/09/2020

No século XX, após o término da Segunda Guerra Mundial, as nações europeias desenvolveram parcerias econômicas, a fim de reestruturar as nações atingidas pelo conflito e manter a paz entre os países-membros. Tais organizações, conhecidas atualmente como blocos econômicos, desempenham um importante papel na regulação do mercado mundial, uma vez que facilitam transações comerciais e contribuem para o desenvolvimento socioeconômico das nações. Nesse sentido, cabe analisar o fortalecimento de países emergentes e a restrição econômica imposta às nações, com o fito de compreender os impactos dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes .

Em primeiro plano, vale pontuar que a criação de grupos comerciais contribui para facilitar a inserção de países emergentes, como o Brasil, no mercado mundial. Sob esse viés, o geógrafo brasileiro Milton Santos afirma que a globalização manifesta-se de forma desigual, propiciando benefícios aos países desenvolvidos em detrimento das nações periféricas, que vivenciam o aumento da pobreza e do desemprego. Assim, os blocos econômicos permitem uma competição comercial mais justa entre países desenvolvidos e periféricos, haja vista a diminuição de tarifas de exportação propiciada pelos acordos comerciais. Desse modo, ocorre o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e do poder de compra da população, o que contribui para o bem-estar e desenvolvimento social.

Entretanto, a restrição da liberdade dos países-membros, os quais devem seguir regras econômicas e políticas impostas pelo bloco, impede o crescimento econômico das nações e fere os princípios liberais dessas organizações. A esse respeito, cabe destacar o processo de “Brexit” - saída do Reino Unido da União Europeia - que foi motivado pela perda de soberania por parte dos britânicos, os quais deveriam adotar medidas impostas pelo bloco no que tange à imigração e destinação de recursos públicos. Por conseguinte, a liberdade e a democracia são prejudicadas, o que impede o desenvolvimento socioeconômico das nações.

Diante do exposto, torna-se evidente o papel dos blocos econômicos no mercado mundial. Para preservar essa função desenvolvimentista, cabe ao Governo Federal, por meio de acordos feitos por diplomatas brasileiros, incentivar novas parcerias econômicas com países emergentes e desenvolvidos, além de manter as parcerias atuais com o Mercosul, a fim de desenvolver a economia do país e melhorar o bem-estar social. Além disso, cabe à Organização Mundial do Comércio (OMC) intervir em blocos econômicos que imponham medidas que restrinjam a liberdade dos países-membros, a fim de garantir a soberania das nações. Com efeito, os países poderão desfrutar igualmente dos benefícios da globalização, como propôs Milton Santos.