O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.

Enviada em 27/09/2020

A globalização da economia mundial é uma realidade na qual cada dia surgem novas possibilidades de acordos multilaterais de comércio. Fato é que uma das consequências desse processo foi a criação blocos econômicos, em que os países membros estabelecem acordos que beneficiem suas economias. Porém, esses blocos geram impactos positivos, como a diversificação dos parques industriais locais, e negativos, que se evidenciam com o BREXIT.

Positivamente, os blocos econômicos são uma forma de protecionismo que aumenta a comercialização e a competitividade dos produtos nacionais. De forma geral, ao se reduzir tarifas alfandegárias e se estabelecer uma taxa comum de importação, o comércio dentro do bloco é estimulado causando uma reação em cadeia: o aumento do consumo leva ao aumento da produção, que gera empregos diretos e indiretos, e ao aumento do lucro, que por ser de uma indústria nacional, tem parte revertida em impostos. Esse tipo de protecionismo permite que o país desenvolva e modernize seu parque industrial, pois fornece mercado consumidor (demais membros) e uma competição mais justa, considerando que sem o bloco teriam que competir com grandes multinacionais. Ou seja, a formação de blocos econômicos, principalmente com membros emergentes, é uma forma rentável de proteger a economia nacional. Exemplo disso são os países membros da Comunidade Árabe, da qual pertencem 22 países com maior valor, em dólar,  de transações econômicas realizadas.

Negativamente, a União Europeia, em decorrência da sua alta complexidade, apresenta problemas estruturais que possibilitam a ascensão de governos nacionalistas. Isso porque a UE constitui-se um sistema confuso e altamente burocrático. Em “BREXIT: o filme”, a produção mostra fotos de funcionários de alto escalão de UE e pergunta para cidadãos se eles sabem quem são esses pessoas e se votaram nela. A resposta é unanimemente não. Isso revela o caráter antidemocrático que  o sistema adquiriu, o qual não é gerenciado por representantes do povo, mas sim alguém anônimo sem obrigatoriedade de prestar contas. Não somente, regulamenta-se inúmeros aspectos do bloco, principalmente econômicos, gerando um protecionismo exacerbado que inviabiliza muitos acordos comerciais vantajosos com outras nações. Essa realidade gera movimentos radicais como o BREXIT (saída do Reino Unido da UE), uma tentativa de restaurar o poder e a identidade nacional.

Portanto, os blocos econômicos podem fortalecer economias nacionais como também impulsionar movimentos nacionalistas. Com o objetivo de conter a ascensão de grupos extremistas, o Estado deveria atuar de forma mais transparente, se utilizando de campanhas publicitárias e debates  para explicitar a natureza e as vantagens de possíveis acordos multilaterais.