O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.
Enviada em 28/09/2020
Para Milton Santos, Geógrafo brasileiro, a globalização ratificou a hegemonia do capitalismo, resultando na internacionalização da economia. Nesse contexto, surgiram os blocos econômicos que, embora estimulem as trocas de bens e serviços, retiram, em certa medida, a soberania comercial de seus membros. Tal conjuntura parece reflexo das desigualdades de desenvolvimento entre seus integrantes, bem como da atual lógica de proteção das economias nacionais.
Em primeira análise, é preciso ponderar as consequências dos blocos para as economias de seus participantes. Segundo o Ministério da Economia, mais de cinquenta por cento do trigo brasileiro é importado e, desses, cerca de oitenta por cento vem da Argentina pelo Mercosul - Mercado Comum do Sul. Nesse sentido, fica evidente a grande facilidade que esses acordos internacionais proporcionam nas trocas comerciais. Contudo, também é possível notar a dependência entre nações distintas em relação ao desenvolvimento econômico. Essa diferença torna-se, frequentemente, um entrave para o estabelecimento de negócios, de forma independente, com outras nações fora dos blocos, uma vez que, com a união administrativa, os países passam a ter pouca força comercial no globo. Prova disso são os recentes fracassos do Brasil para firmar um acordo comercial com a União Europeia.
Outrossim, as práticas protecionistas atuais potencializam tal quadro. De acordo com os filósofos liberalistas, como John Locke, as barreiras alfandegárias e a intervenção estatal na economia impedem o livre mercado entre as nações. Nessa perspectiva, a recente guerra comercial entre alguns países, a exemplo da China e dos Estados Unidos, impacta nas negociações dentro dos blocos econômicos, pois, devido aos acordos burocráticos entre os membros, esses ficam impedidos de estabelecer negócios mais rentáveis para suas economias e de proteger os seus mercados, o que contrapõe a lógica capitalista atual. Como consequência, tem-se a dissolução dos blocos, como o “Brexit” - saída da Inglaterra da União Europeia.
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro, junto a instituições supranacionais, tome medidas que mitiguem os impactos dos blocos econômicos. Destarte, o Ministério da Economia, em parceria com a ONU, deve, mediante audiências, palestras e conferências internacionais com autoridades governamentais e com economistas, ampliar a discussão do papel desses acordos no globo e propor soluções, como a maior flexibilização dessas negociações, a fim de conceder mais liberdade comercial às nações.