O impacto dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes.
Enviada em 01/10/2020
“O desenvolvimento humano só existirá se a sociedade civil afirmar cinco pontos fundamentais: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade”. Tal frase do sociólogo brasileiro Herbert José contrasta com a realidade dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes. O individualismo e a ânsia pelo lucro, ambos frutos do capitalismo, corroboram para o cenário. Dito isso, faz-se necessário analisar a problemática, intrinsecamente ligada a aspectos econômicos.
Ressalta-se, em primeiro plano, que apesar dos “benefícios” provenientes dos acordos internacionais, a falta de equilíbrio entre as partes é evidente. Essa dinâmica não é hodierna, desde a Idade Moderna tais transações desiguais aconteciam, tendo como exemplo o Tratado de Methuen entre Inglaterra e Portugal, no qual o primeiro era o maior beneficiado. Outrossim, devido às várias regras estipuladas por tais grupos, o grande produtor acaba tendo mais vantagens sobre o pequeno comerciante, pois aquele dispõe de capital acumulado para se enquadrar em todas elas. Destarte, a livre concorrência é extinta e dá origem aos monopólios.
Cabe mencionar, em segundo plano, a falta de democracia na organização dos blocos. Dessa forma, a população encontra-se alienada em relação ao funcionamento deles e, consequentemente, tem seus interesses ignorados pela inexistência dessa participação. Ademais, os interesses próprios de cada país têm contribuído para a degeneração desses acordos, como ocorreu com o Reino Unido e a União Europeia. O primeiro viu sua economia ficar dependente dos outros membros, perdendo o posto de pioneiro conquistado com a Primeira Revolução Industrial. Análogo panorama é retratado no filme “Brexit”, contando com o posicionamento da população a favor da saída do grupo.
Infere-se, portanto, que os impactos dos blocos econômicos no comércio de seus integrantes estão corroborando para o desmantelamento dos mesmos. Desse modo, é imperiosa uma ação do Estado por meio da criação de uma plataforma digital, na qual o público poderá participar das decisões, por enquetes, referentes às transações de organizações das quais o Brasil seja integrante. O objetivo será assegurar os interesses financeiros da população e o exercício da democracia. Assim, o desenvolvimento humano de Herbert José será alcançado.