O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 23/03/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, consolidada em meados da década de 1990, possibilitou o surgimento da internet, de modo a aumentar significativamente o fluxo de informações. Paralelamente, o uso do meio virtual para a comunicação e o compartilhamento de atividades cotidianas propiciaram a ascensão dos influenciadores digitais na atualidade, em que estes, muitas vezes, utilizam a produção de conteúdo para fins lucrativos. Com efeito, é perceptível que a formação dos jovens pode ter impactos negativos, ora pelo uso individualista da profissão por pessoas públicas, ora pela falta de uma educação voltada para o espaço tecnológico.

Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a formação intelectual e a autonomia dos indivíduos tornam-se comprometidas de forma negativa por diversas ações executadas pelos influenciadores digitais. Sob esse viés, a população mais jovem, cada vez mais conectada ao “ciberespaço”, ao acompanhar as tendências contemporâneas e estilos de vida nas redes sociais , torna-se alvo de publicidade e de marketing, executados por grandes empresas que financiam pessoas públicas. Nessa ótica, a padronização de metodologias comportamentais, típica da globalização, fomenta o consumismo e a alienação em escala global. Assim, a deturpação do senso crítico e a manipulação da opinião  dos cidadãos fazem-se uma realidade alarmante.

Outrossim, a ausência de uma educação voltada para as tecnologias da educação agrava essa problemática, uma vez que os jovens tornam-se imersos, de maneira progressiva,em uma “bolha cibernética”. Nesse âmbito, é perceptível que a falta de instrução social para com o uso da internet e o acompanhamento dos “digitais influencers” torna os indivíduos mais vulneráveis aos efeitos negativos do meio virtual, como a manipulação do comportamento dos usuários e a padronização de hábitos de consumo. Logo, é substancial que o mau uso dos mecanismos tecnológicos na pós-modernidade seja revisto em prol do bem-estar coletivo.

Em síntese, urge que medidas sejam viabilizadas para mitigar o problema vigente, uma vez que os influenciadores digitais têm poder de persuasão no comportamento e na opinião dos jovens brasileiros. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas governamentais, implementar uma disciplina específica voltada para o letramento digital nas escolas, a partir de palestras e aulas práticas, ministradas por profissionais da educação e da tecnologia, a fim de instruir os cidadãos para com o uso das tecnologias comunicativas desde cedo. Ademais, a própria esfera familiar deve realizar um monitoramento mais efetivo do uso das redes sociais por adolescentes e crianças. Assim, será possível proteger as pessoas, desde a infância, das mazelas do “ciberespaço”.