O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 25/03/2020

A internet já foi palco de muitos avanços para a sociedade, porém, sendo um debate que diverge opiniões, a capacidade de influência na formação de opinião dos jovens por meio do discurso de web celebridades é uma questão que por muitas vezes pode ser maléfica para a tomada de decisão e formação de caráter de uma criança ou adolescente.

Os Filósofos Adorno e Horkheimer, membros da Escola de Frankfurt, utilizam o conceito de Indústria Cultural para explicar que a sociedade possui padrões que se repetem com a intenção de formar uma estética ou percepção comum voltada ao consumismo. É notável os reflexos claros de uma Indústria Cultural formada em meio a internet, tendo em vista a facilidade de marketing que uma empresa consegue ter por usar um influenciador digital como modo de divulgação. Esse foi o modo subconsciente encontrado pelo mercado para conseguir adequar os pensamentos, comportamentos e atitudes dos usuários sem que eles consigam ter noção disso, levando em consideração que, segundo o portal de notícias Metrópoles, o Instagram, em 2018, contabilizou 12,9 milhões de posts de influenciadores patrocinados por diversas marcas, tendo como expectativa o dobro desse número para 2019. Portanto, é possível afirmar que o jovem forma um público que, muitas vezes alienado com um padrão de estilo de vida de um influenciador, se vê preso a um hábito de consumo excessivo.

Outrossim, pode-se pontuar atitudes preconceituosas tomadas por influenciadores, que já não são novidade na mídia, ação que pode colaborar para a formação do caráter de um jovem que pode ser facilmente manipulado por ainda não ter convicção suficiente de seus valores. Atitudes como essa são repugnantes e não devem fazer parte da formação de um indivíduo, já que é capaz de deturpar a perspectiva de sociedade aos olhos de uma pessoa ainda em desenvolvimento intelectual, o que reforça a ideia de Adorno de que a Cultura de Massa, constituinte da Indústria Cultural, não torna alguém apenas estúpido, mas também incapaz de agir moralmente, à medida que seus julgamentos sobre um indivíduo não se dão pelas suas virtudes ou defeitos, mas sim por ideias antiquadas e sem sentido que a sociedade preserva ou assume por indução da Indústria Cultural.

Desse modo, fica claro que os influenciadores possuem a capacidade de moldar o comportamento e opiniões. Por isso, cabe aos responsáveis, junto ao incentivo de órgãos governamentais como o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promoverem palestras e debates em escolas e locais diversos, de âmbito público e privado, sobre a manipulação e alienação existentes nos meios digitais, com o intuito de formarem jovens com inteligência socioemocional suficiente para que consigam julgar e tomar decisões com pensamentos apartados da Indústria Cultural.