O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 27/03/2020

Max Weber, um dos pais da sociologia contemporânea, discutiu os diferentes tipos de poder em sua obra “O uso legítimo da força”. O poder por carisma, configurado unicamente pelas características pessoais do indivíduo, assemelha-se ao dos influenciadores digitais atualmente, os quais, importunamente, possuem a capacidade de manipular negativamente uma massa de jovens por meio da internet. Sendo assim, é válido apontar o uso descontrolado das redes sociais como protagonista dentre as razões da problemática, o qual, consequentemente, afeta o livre-arbítrio dos jovens.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, que o indiscriminado acesso às redes sociais, por parte dos jovens, corrobora o problema. Sabe-se que, assim como postulado por Adorno e Horkheimer na “Indústria Cultural”, hodiernamente os meios de comunicação em massa permitem, por exemplo, os influenciadores digitais alcançarem inúmeras pessoas simultaneamente - o que inclui os jovens. Desse modo, se esses possuem acesso livre a tais meios, a manipulação dos “influencers” consequentemente acontece, a qual pode ser negativa, de forma a afetar o livre-arbítrio dessa população em formação. Logo, urge-se imperiosa atenção da família perante essa conjuntura.

Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, o livre-arbítrio do público jovem é posto em voga de forma estigmatizada. Isso acontece, pois esse público, que está em formação intelectual, é constantemente exposto às ideologias dos criadores de conteúdo on-line que mais gostam, o que ilustra uma demagogia indireta por parte dos influenciadores. Destarte, esse quadro confronta as ideias de Jean-Paul Sartre, à medida que o pensamento dos jovens é influenciado pelos criadores, visto que o filósofo existencialista preconizava que todos são condenados à liberdade e à responsabilidade pelos próprios atos e pensamentos, ou seja, ao livre-arbítrio. Em suma, os jovens que acessam indiscriminadamente os meios de comunicação em massa estão sujeitos a terem seus livre-arbítrios afetados diante da demagogia de alguns influenciadores digitais, o que impacta na formação desses e necessita de mudanças imediatamente.

Infere-se, portanto, visto a tempestividade da problemática, que compete às famílias, por meio de uma presença mais ativa na vida dos jovens, o dever de regular o uso das redes sociais e prestar atenção à procedência dos conteúdos consumidos on-line por eles, tomando atitudes quando necessário. Assim, visando atenuar o impacto negativo dos “digital influencers” na formação intelectual dos jovens, observar-se-ia uma geração de indivíduos que diverge da manipulação teorizada pelos filósofos de Frankfurt na “Indústria Cultural”, o que refletiria em uma população mais genuína, original e capaz de construir um mundo melhor.