O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 27/03/2020
O psicanalísta Sigmund Freud discutiu acerca da ideia de “pulsão”, conceito que aborda a dependência emocional e a construção da confiança a partir da necessidade em conflito com o desejo. Dedicou-se, em seu livro Além do princípio de prazer, em apresentar a “pulsão” como um impulso capaz de definir o comportamento humano. Com isso, a partir de tal hermenêutica, pode-se debater sobre os impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Para isso, faz-se possível duas argumentações: a primeira baseia-se na exacerbada dependência dos meios de comunicação e interações artificiais, enquanto a segunda debruça-se sobre a premissa da sociedade de consumo, ou ainda consumo líquido, de Zygmunt Bauman, em seu livro Vida para consumo.
Em primeiro lugar, a premissa freudiana presta-se em exibir uma exegese apoiada nas relações sociais e na influência direta do influenciador. Com isso, o inconsciente desenvolve mecanismos suficientes para, a partir da confiança, espelhar-se naquele a ser copiado, cuja realidade difere-se do jovem, o que gera uma dificuldade emocional de libertar-se. Assim, segundo o autor, o indivíduo seria apto a criar, com base nesse impulso, um afeto com aquele influenciador, ainda que não tenha consolidado nenhum contato.
Em segundo lugar, a liquidez do sistema de consumo apresentado por Bauman exemplifica a relação fabricada pelas redes sociais, na qual inclina-se para uma personificação dos seres em mercadorias descartáveis. Dessa forma, a associação entre influenciador digital e o jovem basearia-se em considerar o último como um consumidor que deve ser persuadido a usar produtos e consumir conteúdos específicos. Segundo Bauman, o desejo de consumo incessante faz parte do indivíduo que, com frequência, busca saciar-se nos excessos.
Portanto, de acordo com as informações apresentadas, torna-se viável pontuar os impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens. Ao considerar Freud e Bauman, a dialética encontra a problemática da subjetividade, o que dificulta uma síntese. Assim, devem haver medidas restritivas aplicadas as empresas detentoras de redes sociais de grande porte, na tentativa de minimizar os abalos na vida dos jovens. O ministério da Família pode, em conjunto com as comunidades, incentivar as famílias a fiscalizarem as redes sociais dos filhos e controlar a vasta submissão dos mesmos em relação a internet. Logo, na investida de contrariar a sociedade de consumo, o corpo social precisa dedicar-se em cessar padrões e noções irreais inalcançáveis, cada vez mais embasadas nas redes sociais, o que a longo prazo, sensibiliza os jovens e os manipula para a aquisição.