O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 29/03/2020

Na Grécia Antiga, os grandes moldadores de opinião eram os filósofos, como era o caso de Aristóteles, que influenciou significativamente o império de Alexandre, o Grande, com seus ensinamentos sobre equilíbrio entre virtudes e vícios. Hodiernamente, vive-se a era dos influenciadores digitais, que moldam as opiniões dos jovens em prol do consumismo ao vender imagens de “vidas perfeitas” e, assim,terminam por frustrar os jovens na expectativa de tentar ter o mesmo estilo de vida dos influenciadores.

Nesse sentido, cabe ressaltar a configuração aparelhada para imperar sobre o inconsciente da juventude. Assim, a sociedade atual se configura ao redor das redes sociais, em que as pessoas que possuem maior visibilidade social na internet se beneficiam de suas imagens para vender ideias e produtos desnecessários. Tal ideia é explorada no livro “Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord, escritor francês, que intitulou de “mercantilização das imagens” o modo operante dos influenciadores digitais, que exercem uma influência baseada em atuar para o capital, diferentemente dos filósofos da Grécia Antiga.

Outrossim, as vidas vendidas pelos influenciadores da internet provocam danos às vidas dos indivíduos que tentam se equiparar aos ídolos. Nesse âmbito, o filósofo Byung Chul Han sugere o termo “sociedade do desempenho” para caracterizar a intensa pressão vivida pelos indivíduos ao possuírem um excesso de autocobrança  formada pela  vontade de ser sempre o melhor e ter a vida mais parecida com a dos ídolos. Por conseguinte, essa falta de equilíbrio, que Aristóteles chamaria de “mal dos excessos”, gera transtornos psicológicos como depressão e Síndrome de Bernout nos jovens.

Destarte, medidas são necessárias para atenuar tal problemática. O Ministério da Educação em parceria com as escolas deve investir em oficinas interativas sobre a influência dos youtubers na vida das pessoas e o impacto no consumo. Tais oficinais devem ser realizadas por meio de dinâmicas de grupo que possibilitem a criação de conteúdos com o intuito de vender uma marca (com foco na função conativa da linguagem) com o intuito dos alunos entenderem o tipo de linguagem persuasiva presente nos conteúdos digitais e tomarem consciência da ideia consumista por trás dos vídeos dos influenciadores. Dessa maneira, então, há de se atingir o equilíbrio dos excessos pregado pelo ilustre Aristóteles, o influenciador da antiguidade.

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