O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 28/03/2020
Com o avanço das tecnologias digitais no início do século XXI, não só as formas de comunicação entre os indivíduos foram alteradas, mas também os meios com que as empresas se conectam aos consumidores. Essas, encontraram uma maneira de persuadir os compradores, por meio de uma figura pública em que eles possam se espelhar, o influencer. Contudo, têm-se que tanto as empresas quanto esses influenciadores, utilizam da pressão estética sofrida pelas mulheres para vender produtos e um estilo de vida, que nem sempre é verdadeiro.
As chamadas “blogueirinhas”, que possuem um alto poder de persuasão devido a sua influência nas redes, exibem nas mídias sociais o ideal de uma vida feliz, interligado a ideia de um corpo perfeito. Além disso, elas indicam caminhos para atingir essa finalidade suprema, que na maioria das vezes está associada à aquisição de produtos. Logo, é ocasionado o descontentamento e a infelicidade de quem não consegue alcançar essa beleza fictícia, desencadeando em queda de autoestima e insegurança. Na sociedade do espetáculo descrita pelo sociólogo Guy Debord, o povo passou a ser mero espectador de uma comunidade problemática. Isso é evidenciado nesse contexto, tendo em vista que a população é diariamente bombardeada com essa nova forma de propaganda, sofre os efeitos dela diretamente, mas não consegue identificar os danos que ela causa.
Em virtude do que fora mencionado, têm-se a frase do sociólogo Theodor W. Adorno: “A sociedade é sempre a vencedora e o indivíduo não passa de um fantoche manipulado pelas normas coletivas.” A sentença caracteriza a situação atual mostrada, porque apesar do sofrimento dos indivíduos, as empresas conseguem se beneficiar da pressão estética exercida sobre eles. Isso ocorre, pois por influência das “blogueiras”, as mulheres iniciam uma busca pelo encaixe nos padrões de beleza, encetando dietas rigorosas, ingerindo remédios sem prescrição, suplementos, fazendo cirurgias plásticas, comprando produtos de pele, cabelo e unhas, gerando portanto, muito lucro para as empresas. Por exemplo, sabe-se que, segundo a pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, em 2018, foram realizados 2.26 milhões de procedimentos estéticos no Brasil.
Em vista do que fora citado é necessário o apoio de agentes sociais para minimização dos impactos supracitados. A escola, em união com a família, deve propor debates e palestras promovendo a aceitação e o amor próprio, assim como a reflexão sobre a influência que as redes de interação (e os blogueiros) têm sobre os indivíduos. Para que assim a discussão acerca do padrão inatingível de beleza seja politizada. Além disso, o indivíduo deve buscar fontes de inspiração mais realistas e que de fato surtam nelas um impacto positivo. Só assim os efeitos negativos da questão poderão ser mitigados.