O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 29/03/2020
“Recordando a labuta do dia, o que dominava agora era uma infinita preguiça da vida, da eterna luta com o sol, com a fome, com a natureza.” Nesse trecho do romance “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, o personagem Vicente encara os obstáculos que a vida em 1915 oferecia. Concomitantemente a esse cenário, nas últimas décadas, o impacto de influenciadores digitais não só estipulam padrões de vida aos jovens, mas também incita o consumismo, que são mazelas do mundo globalizado.
Antes de tudo, a atuação de personalidades no contexto da internet como referência das mais diversas maneiras de ser e agir, instiga nos jovens a ideia unidirecional de copiar comportamentos e personalidades como sendo absolutos. Desse modo, esses indivíduos sofrem tentando se ajustar a padrões de beleza e estilo de vida, o que podem causar problemas de aceitação com a própria imagem e gerar quadros de depressão, doença relacionada à baixa autoestima e tristeza profunda. Além disso, o consumo exacerbado de dados causa o desvio da realidade e o descuido com tarefas do cotidiano, como focar nos estudos, por exemplo, o que evidencia a gravidade desse problema.
Ademais, é indubitável que as propagandas mostradas pelos portadores de páginas nas redes virtuais incitam o consumismo e o hábito no público de obter, com preferência, os produtos mostrados. Logo, nessa perspectiva, usar sempre os serviços e itens destacados prejudica a capacidade de escolha do tecido infantojuvenil, além de estabelecer a compra excessiva como algo que agrega na vida, o que pode fomentar uma geração menos preocupada com as causas ambientais. Com efeito, para o sociólogo positivista Auguste Comte, as maiores mudanças da história da humanidade se deram por meio do conhecimento, e essa é a melhor ferramenta para diminuir essas consequências na vida dos jovens.
Dessarte, urge que o Ministério da Educação e Cultura ( MEC), em parceria com as escola e universidades, façam campanhas de conscientização que mostrem a esse corpo social o que a influência digital pode trazer como malefício. Em suma, isso deve ser feito por intermédio de palestras, dinâmicas educacionais e rodas de discussão, que apontem o surgimento de doenças psíquicas, desorganização financeira e impactos ambientais que o consumo intenso e sem instrução dessas plataformas podem acarretar, com o intuito de formar uma sociedade mais preparada e cautela. Somente assim, contrariando o personagem Vicente, será possível vencer esse obstáculo na labuta social por melhorias.