O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 22/06/2020
Em sua canção “Admirável Chip Novo”, a cantora Pitty expõe um refrão composto por verbos no imperativo que demonstram uma imposição de hábitos, distintivo dos influenciadores digitais. Essa situação, tendo em vista a virtualização das relações, a manipulação praticada por tais agentes é capaz de gerar impactos psicológicos e sociais, sobretudo à formação dos jovens: geração mais inserida tecnologicamente. Isso pois, o espelhamento em estilos de vida “exemplares” pode até ser atraente, mas não benéfico, uma vez que a frustração, neste cenário, surge como um dos menores efeitos.
Em primeiro plano, é necessário analisar como a influência dessas figuras públicas contribuem para fomentar o consumismo. Em consonância com a Indústria Cultural, de Adorno e Horkheimer, pode-se considerar que os meios de comunicação atuais cumprem um papel comercial de massificação social. Assim, em prol da maior lucratividade, empresas utilizam essa dominação como cofatores no processo de marketing, por meio da exposição de padrões aquisitivos e estéticos, como um corpo magro e saudável, almejados pela maioria dos seguidores. Esse cenário justifica a “sociedade do espetáculo” do autor Guy Debord, já que a eclosão abrupta de uma sociedade mediada por imagens sensacionalistas exercem apenas um objetivo comercial de vender produtos e serviços. Logo, observa-se uma necessidade generalizada de consumo pelos jovens que, por sua vez, pode gerar o endividamento.
Sob outro prisma, diante do panorama supracitado, a busca pelo enquadramento nos moldes estabelecidos pelos influenciadores digitais fomentam transtornos psicológicos. Essa problemática ocorre porque, as constantes publicações de estilos de vida “perfeitos”, de luxo, fama e realizações despertam o desejo de espelhamento, muitas vezes inatingíveis. Dessa forma, em consequência desse empenho pela aprovação social, percebe-se a adoção de comportamentos não condizentes com a realidade, haja vista que, assim como proposto por Maquiavel, existe uma priorização da aparência em detrimento da essência que, consequentemente, pode gerar frustração e até depressão. Constata-se, assim, os prejuízos que a manipulação desses agentes provocam para o desenvolvimento dos jovens.
Torna-se evidente, portanto, a gravidade dos impactos gerados pelos influenciadores digitais. Para amenizar esse quadro, urge que as Organizações Não Governamentais ligadas às redes sociais, se preocupe com a saúde mental dos jovens e os efeitos dessa manipulação, criando campanhas que abranjam esses formadores de opiniões, a fim de conscientizá-los à utilizar os novos meios de comunicação de maneira responsável e consciente para que o bem-estar social seja uma questão prioritária. Assim, perceberá um menor risco de transtornos psicológicos causados pela frustração diante de uma “sociedade do espetáculo”.